Livro tenta derrubar mitos e tirar o medo que algumas mulheres têm do parto

Por FABIANA FUTEMA
Uma das fotos do Projeto Nascer (Lela Beltrão/Coletivo Buriti de Fotografia)
Uma das fotos do Projeto Nascer (Lela Beltrão/Coletivo Buriti de Fotografia)

“Ninguém da minha família conseguiu um parto normal. Não sou eu que vou conseguir.” No livro “Parto Sem Medo”, o obstetra Alberto Guimarães diz que essa desculpa costuma ser um plano de fuga muito comum entre as mulheres.

“Ela quer, mas procura desculpas para fugir do que quer. Pode até ter informação de qualidade, mas precisa aprender a confiar mais em si mesma e tomar decisões sem precisar da aprovação dos outros. Essa mulher, muitas vezes, foi desenganada porque disseram e decretaram que ela não seria capaz”, escreve Guimarães no livro.

No Brasil, as taxas de cesárea são consideradas epidêmicas. Ultrapassam 80% de todos os partos realizados na rede privada. Esse percentual é bem superior à taxa recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde), de 15%.

Ninguém tem dúvidas de que a cesárea é uma cirurgia que pode salvar vidas, tanto da mãe quanto do bebê. Mas não deveria ser utilizada como um procedimento de rotina, já que traz riscos de sangramento para a mãe e de doenças respiratórias e outras complicações para o bebê.

Para eliminar alguns dos medos das mulheres em relação ao parto normal, Guimarães diz no livro que as mulheres não devem se enganar com a suposta facilidade que a cesárea oferece.

“Algumas mulheres encaram o trabalho de parto como um procedimento desnecessário. Avaliam a cesárea como um avanço tecnológico e não percebem que colocam em risco suas vidas ao acreditarem em tais mitos.”

Segundo ele, pode ser um balde de água fria quando essas mulheres perceberem que o medo pode ser trabalhado e que o “parto pode ser prazeroso e transformá-las profundamente”.

O obstetra também alerta sobre coisas que ninguém conta sobre a cesárea, nem as amigas mais próximas.

“A mulher fica na maioria das vezes amarrada em uma maca, é anestesiada. Muitos médicos empurram a barriga para posicionar o bebê, e a criança nasce sem que aquela mulher participe de nada. Ela vê o bebê, tem a necessidade de toque, e só pode tirar uma foto encostando o rosto no corpo da criança.”

O livro será lançado na quarta-feira (23), às 19h, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis (Av. Higienópolis, 618), em São Paulo.