Como os pais podem ajudar as mães a atravessar o puerpério

Por FABIANA FUTEMA
Marcela, o marido e a filha Celina (Crédito: Arquivo Pessoal)
Marcela, o marido e a filha Celina (Crédito: Arquivo Pessoal)

As mulheres se preparam lindamente para o parto. Compram o enxoval, decoram o quarto do bebê, fazem lembrancinhas para entregar na maternidade. Mas poucas se preocupam com o puerpério _período de grandes mudanças físicas e emocionais que pode durar de seis a oito semanas após o parto.

Entre os desafios do puerpério estão a amamentação, que não acontece automaticamente para muitas mulheres, e a privação do sono. Ela ainda está aprendendo a ser mãe e não entende por que o bebê chora tanto ou dorme tão pouco. Ao mesmo tempo, deixou de ser a mulher que era antes da maternidade e pode se sentir muito solitária.

E qual o papel do pai neste momento tão difícil para a mulher? A primeira coisa que eles devem ter em mente é que podem fazer dessa travessia uma jornada menos cansativa e mais feliz para todos.

A ajuda paterna pode se dar de diversas formas. “O homem pode ajudar com ações práticas, como trocar fralda, dar banho, ficar com bebê, dar comida, cuidar da casa”, diz o pediatra Carlos Eduardo Corrêa, o Cacá.

Para isso acontecer, segundo ele, é preciso que as mães permitam que os pais participem. “Entendo que a mulher precisa dar esse espaço para que o homem possa participar. Ela precisa ver esse homem como companheiro, como parceiro.”

Cacá diz que os dois precisam se preparar para o pós-parto. “Tem que viver esse processo, preparar-se para a família que está nascendo.”

Segundo ele, muitos pais se sentem despreparados e incapazes de cuidar do recém-nascido. “É importante mostrar a ele que o bebê não quebra, que o pescoço não vai quebrar. É importante que ele se descubra como pai e divida mais com a mulher os cuidados com o filho.”

O pai também pode dar apoio emocional para a mulher no puerpério. “Ele pode entender que é um momento delicado, que as mulheres ficam mais sensíveis, com medo, sofrem com privação de sono, ficam irritadas. Entender que é uma fase e vai passar”, afirma Cacá.

O homem também pode ser a pessoa encarregada de facilitar a vida da mulher em pequenas tarefas, como impedir que ela receba muitas visitas ou evitar que a visitação se prolongue por muito tempo.

“No início, principalmente para quem tem filho pela primeira vez, tudo é uma grande novidade”, diz Cacá.

A revisora gramatical Marcela Fregonezi, 33, diz que sabia que a maternidade era fácil, só não imaginava que era tão difícil. “Para mim, a pior parte é a solidão. Não ter a família por perto neste momento de tantas mudanças é terrível. Minha família mora em Florianópolis (SC) e eu, em Guarulhos.”

Mãe de Celina, de 8 meses, Marcela teve sua rotina alterada após o parto. “Sempre fui muito organizada, gosto de planejar tudo com antecedência. Com um bebê, cada dia é uma surpresa, não tem como se programar. Isso é desgastante demais.”

A revisora diz que seu marido é muito presente e divide com ela os cuidados com a filha. “Ela dorme bem  e quando acorda de madrugada é o pai quem vai acudir.”

Marcela publicou um post em um grupo de mães perguntando se tinha algo errado com ela, pois ela estava sempre cansada, exausta e irritada, enquanto o marido era o calmo da relação. “ […] Depois de ser mãe eu percebi que não sou tão boa pessoa quanto pensei que fosse. Às vezes tenho pena da minha filha. E, muitas vezes, tenho pena do marido.”

Ao Maternar, Marcela afirmou que o apoio recebido após seu desabafo a fez perceber que não está sozinha nos altos e baixos da maternidade. “Vi que não sou a única mãe explosiva e sem paciência. Acho que a maioria das mulheres sente isso, mas tem vergonha de dizer. A sociedade espera que sejamos mães sublimes e isso é frustrante para quem não consegue ser mãe de comercial de margarina.”

Marcela também passou a se cobrar menos após receber o apoio de diversas outras mulheres. “Percebi que não sou o monstro que estava imaginando, apenas estou muito cansada e sobrecarregada. Estou me culpando menos e também me policiando mais para não perder a cabeça com qualquer situação que fuja do meu controle.”

E como foi seu puerpério? Seu companheiro participou dos cuidados com o bebê e casa? Conte como se sentia ao Maternar