Hospitais se adaptam para atender pedidos de mães que querem ficar com a placenta

Por FABIANA FUTEMA
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Bebê ligado à placenta da mãe (Crédito: Elis Freitas Fotografia)

Antes tratado como resíduo hospitalar, a placenta passou a ter outro destino em algumas maternidades. Essa mudança de procedimento só aconteceu porque algumas mulheres começaram a pedir para levar a placenta para casa.

“Percebemos que era preciso fazer alguma coisa quando uma funcionária foi limpar o frigobar de um quarto e encontrou uma placenta lá dentro”, diz Marcia Maria da Costa, diretora da maternidade do hospital São Luiz. “Nos organizamos para não haver mais esse tipo de situação.”

Segundo ela, o hospital percebeu que essa prática podia estar acontecendo sem que a direção soubesse.

“Temos médicos da nossa equipe e externos. Não sabemos o que o médico externo combina com a paciente. Criamos então um procedimento para permitir que a placenta ficasse com a mulher, mas em condições adequadas”, afirma Marcia.

As gestantes que dão à luz no hospital podem, desde 2015, pedir para ficar com a placenta. Lá, a placenta é colocada em um saco plástico, identificada e armazenada em uma sala refrigerada. Quando tem alta, a mulher pode levar a placenta para casa.

Mas não é todo hospital que adota esse procedimento. No Santa Joana, a paciente é informada que seu acompanhante deve levar a placenta para casa no mesmo dia do parto.

“O hospital não se responsabiliza pelo armazenamento das placentas durante o período de internação da paciente”, informa o hospital.

Já as maternidades da rede estadual não oferecem às gestantes a possibilidade de ficar com a placenta.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, as placentas são descartadas como resíduo hospitalar e mais tarde incineradas. Tanto o descarte como a proibição de levar o órgão para casa estão previstos em resoluções da Anvisa, informa a secretaria.

PRINT

O São Luiz ainda não permite que as mães coloquem como enfeite de porta o ‘print’ da placenta, cuja imagem acaba se parecendo com a de uma árvore.

“A imagem é feita com o sangue da placenta. É um material biológico, pode contaminar”, afirma Marcia.

O QUE FAZER COM A PLACENTA

Há mulheres que desejam ingerir a placenta por acreditarem que ela é rica em nutrientes que ajudam de evitar anemia até depressão pós-parto.

Já há empresas no Brasil que fazem o encapsulamento da placenta. A celebridade Kim Kardashian, por exemplo, encapsulou a placenta para consumi-la depois.

Há doulas que fazem tintura da placenta, que é usada como uma espécie de produto homeopático para ser usado pela mãe e o bebê ao longo da vida.

Há pessoas que preferem plantar a placenta, preferencialmente perto de uma árvore frutífera.

E também há aquelas que somente usam a placenta para fazer uma espécie de quadro: o órgão é pressionado contra uma folha de papel e forma um desenho muito parecido com uma árvore. É o chamado print ou impressão.

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