Comediante adapta boneca da filha em “protesto por exclusão”

Por Melina Cardoso

Se você for a uma loja de brinquedos e apertar a barriga da maioria das bonecas falantes, deverá ouvir: mamãe, te amo, mamãe, tô com sono, tô com fome, quero colo, mamãe.

Dificilmente encontrará alguma boneca que mencione o pai.

Como protesto, o comediante e escritor Fernando Strombeck, 32, fez um vídeo passo a passo explicando como é possível trocar a fala da boneca e incluir o pai na brincadeira.

“A maioria das bonecas reforça que os cuidados com o bebê só devem ser feitos pela mãe. Além disso, elas sempre direcionam à fala à meninas, excluindo também a participação dos meninos na brincadeira”.

A exclusão também é sentida quando Fernando precisa trocar a fralda da filha em algum lugar público. “Apesar de vermos muitos lugares com banheiros familiares ou trocadores em áreas externas, já precisei esperar esvaziar um banheiro feminino e colocar uma mulher vigiando a porta para conseguir trocá-la”, lamenta.

Strombeck foi criado pela mãe, em São Paulo, até os 13 anos, quando se mudou para Sorocaba (interior do Estado) e passou a morar com o pai. Ele conta que teve muitos problemas de relacionamento com pai –hoje solucionados–, mas que deixaram marcas doloridas.

A falta da figura paterna na infância o impulsionou a buscar a paternidade ativa de Luísa, sua filha, de 1 ano e seis meses.

“Hoje, entendo a importância de estar presente na vida dela, principalmente nessa primeira infância, algo que era negligenciado por muitos pais no passado”.

Autor do livro “Papai Comédia”, Fernando conta que muitos homens recorrem a ele para desabafar sobre os perrengues do dia a dia com os filhos. “Há uma identificação. Ainda não é muito comum levar esse assunto pra mesa de bar, numa roda de amigos”, observa.