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Dilemas maternos e a vida além das fraldas

Perfil Fabiana Futema, mãe de Kazuo, e Giovanna Balogh, mãe de Bento e Vicente

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Mães não devem rotular; entenda o poder do discurso materno

Por Giovanna Balogh
30/10/14 11:42

A Mariana é sapeca. O Bernardo é tranquilo. João é bem mais arteiro que o irmão. Fernanda não é carinhosa já a Clara é muito amorosa. Crianças são diariamente rotuladas e comparadas uma com as outras.  Mas, qual o benefício disso?

Crianças são seres únicos e que ainda estão em plena formação. Se desde cedo ouvem de seus pais ou cuidadores que são desta ou daquela maneira vão levar para a vida inteira esse ‘rótulo’ como sendo verdadeiro sem conseguir construir a sua própria e verdadeira história.

A psicoterapeuta argentina Laura Gutman diz que as consequência são ainda maiores quando esse rótulos e comparações são falados por nós, as mães das crianças. Segundo ela, professores ou pessoas de fora não tem tanto poder de  interferir  na vida dos nossos pequenos. “O que eles dizem não tem tanto impacto sobre a pisque da criança. O que importa é o que dizemos em casa pois o universo dela está em casa”, diz Laura, que é mãe de três filhos.

“O discurso materno carrega todos os nossos pressupostos, crenças e opiniões. O que as outras pessoas dizem não importa tanto a menos que as mães usem para reforçar a nossa ideia do que é certo ou errado e que a criança deve fazer para ser digno de nosso amor”, comenta a psicoterapeuta que estará no sábado (1) em São Paulo dando a palestra “Biografia Humana: a ponte entre nosso presente e nossa infância”. O evento será das 10h às 15h e conta com poucas vagas.

Laura explica que as mães muitas vezes preferem rotular os filhos do que entender o que está errado e que a criança precisa de nós.

Laura Gutman vai estar no Brasil no próximo sábado

Laura Gutman vai estar no Brasil no próximo sábado (Foto: Divulgação)

“As consequências são ruins, porque a criança vai acreditar no que a mãe diz, que é algo muito diferente do que ela sente”, comenta Laura, autora de livros famosos como “O Poder do Discurso Materno” (Summus Editoral) e “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra” (Best Seller), os únicos traduzidos em português.

Laura explica  que o primeiro passo para criarmos nossos filhos é reconhecer  nossa infância. “Quem somos é o resultado de tudo o que aconteceu quando éramos crianças, nós nos lembrando ou não. É essencial que os adultos façam uma investigação pessoal do seu passado para ter mais clareza, liberdade para compreender tudo o que a criança precisa a partir do seu ponto de vista e não do nosso”, explica.

Segundo ela, somente conhecendo o nosso território emocional poderemos tomar decisões conscientes a respeito do que queremos fazer agora, sendo a pessoa que somos.

A psicoterapeuta explica que é importante trabalhar na construção da nossa biografia humana, ou seja, descobrir qual foi o “personagem” de nós criança até nossa vida adulta.  No livro e na palestra, Laura explica como fazer o processo de autoconhecimento para entrar em contato com experiências esquecidas no inconsciente e, com base em um novo ponto de vista, libertar-se do passado opressor e criar novas maneiras de ver o mundo.

Laura explica que o autoconhecimento e as memórias do passado nem sempre podem ser fáceis, mas que é um potencial crescimento para transformar a nossa vida. “Emergem daí seres humanos mais completos e aptos a manter relações familiares e amorosas harmônicas”, diz.

Laura afirma ainda que na maternidade não existe certo ou errado e que todas fazem o melhor que podem.

“Nunca conheci uma mãe que faz o pior que pode. Mas essa mãe só poderá compreender o filho, só poderá sentir se entrar em contato com a criança que ela foi”.

Você já parou para refletir sobre a sua infância e como ela interfere na criação dos seus filhos?

Mãe de trigêmeos consegue ampliar licença-maternidade para 180 dias

Por FABIANA FUTEMA
29/10/14 17:23

A contadora Lilian Zanete, moradora de Jataí (GO), conseguiu uma liminar na Justiça estendendo o período de licença-maternidade de 120 dias para 180 dias.

Após inseminação artificial, Lilian teve trigêmeos, que nasceram prematuros em abril. Na época, a mãe estava no sétimo mês de gestação.

No pedido à Justiça, a advogada Sirlene Moreira, requereu que fosse dado a Lilian o mesmo período de licença-maternidade concedido a servidoras públicas ou a funcionárias de empresas optantes do programa Empresa Cidadã _que concede benefícios fiscais a companhias que ampliam a licença das colaboradoras.

A advogada alegou ainda que as crianças necessitavam de acompanhamento da mãe já que nasceram prematuras e que a ampliação da licença atendia ao interesse dos bebês.

Em entrevista à TV Anhanguera, afiliada da TV Globo, a contadora disse que o novo prazo reconstituiu a licença original. “Ceno e vinte dias é muito pouco. Se fosse fazer como os médicos consideram, a idade corrigida, eles teriam dois meses quando acabou a licença”, disse.

(Poucas) Empresas oferecem consultoria pós-parto para funcionárias

Por FABIANA FUTEMA
29/10/14 08:29
Erika Louise diz que consultoria ajudou-a com a amamentação da filha (Foto: Arquivo pessoal)

Erika Louise diz que consultoria ajudou-a com a amamentação da filha (Foto: Arquivo pessoal)

Quem nunca teve dúvidas sobre a melhor maneira de amamentar o bebê? Ou sobre o jeito de segurar a criança na hora do banho? Sobre a limpeza do umbigo do recém-nascido, então, nem se fala…  Você mãe experiente pode já ter se esquecido dos primeiros dias em casa com o recém-nascido. Mas mães de primeira viagem sabem muito bem quantos questionamentos podem surgir nesse comecinho de relação com o filho.

Para sorte de algumas poucas mães, já há empresas que oferecem para suas funcionárias consultoria e acompanhamento pós-parto. Esse é o caso do Itaú e do Boticário, por exemplo.

A Erika Louise, 34, relações públicas do Itaú, recebeu a visita de uma enfermeira obstétrica enviada pela empresa três dias depois de sair da maternidade. A enfermeira ajudou Erika a encontrar uma posição mais confortável para amamentar o filho Caio, hoje com 10 meses.

“Foi legal, pois eu não conhecia a posição invertida para amamentar e estava com dificuldade para fazer o bebê pegar o peito. Depois de aprender essa posição, consegui amamentar sem problemas”, diz ela.

Além da visitação de enfermeiras, o programa do Itaú também conta com psicólogas para atender as mães que acabaram de ter o bebê.

Erika diz que além da visita física, o banco também oferece um serviço de acompanhamento por telefone por meio do qual ela pode tirar dúvidas e contar como anda a vida pós-parto. “Eles sempre ligam para saber se está tudo bem, como estou, se preciso de alguma coisa ou perguntar se tenho alguma dúvida. Para pessoas como eu, que não têm parentes por perto, é muito bom ter esse auxílio.”

O programa de consultoria materna do Itaú foi lançado em 2011 e atende funcionárias de São Paulo e Grande SP. Para colaboradoras de outras regiões, o suporte é dado apenas por telefone.

A analista de saúde ocupacional do Boticário, Nágila Aparecida Bonomo Oliviera, 31, é uma das 215 funcionárias atendidas pelo programa. Como Erika, ela também teve dúvidas sobre amamentação. “A principal dúvida e maior dificuldade foi com a amamentação, pois tive mastite e edema nas mamas.”

Segundo ela, a enfermeira ajudou ensinou técnicas para abocanhar o mamilo, cuidados com as mamas, além de armazenamento e transporte do leite materno. “A Sofia também foi monitorada quanto ao ganho de peso, pois tive dificuldade para amamentar devido ao excesso de leite.”

No Boticário, o programa de consultoria foi criado em 2008 e atende funcionárias e dependentes de colaboradores, como mulheres e filhas.

“A visita [da enfermeira] é realizada entre 4 e 7 dias após o parto, período em que geralmente ocorrem as intercorrências que desestimulam o aleitamento materno”, diz Rosely Maximiano, gerente de compensação e qualidade de vida do grupo.

“Queremos proporcionar conhecimentos específicos, para que as mães se sintam mais seguras durante todo o processo que envolve o cuidado com o bebê”, afirma a gerente.

Bebê de 7 meses é deixado sozinho em carro trancado por 40 minutos

Por Giovanna Balogh
28/10/14 12:31

Um homem de 27 anos foi preso na tarde de segunda-feira (27) em Taubaté (140 km de São Paulo) após deixar um bebê de sete meses preso dentro do carro.

O veículo, segundo a PM, estava com os vidros fechados e a criança foi descoberta por um casal que passava pela rua Correa, na região central. O casal ouviu o choro da criança e tentou procurar o responsável por ela. De acordo com o Climatempo, a temperatura na tarde de ontem na cidade era de aproximadamente 28 ºC.

Ao ouvir o choro da criança, o casal tentou abrir o veículo que, por sorte, estava destravado. O bebê estava com a boca roxa e foi encaminhado para um pronto-socorro da cidade. Ele passa bem.

A PM foi acionada e localizou o pai da criança em uma LAN house localizada próximo ao local onde o carro estava estacionado. Ele deu entrada no local, segundo o registro do estabelecimento, 40 minutos antes de ser abordado pelos policiais.

O pai disse, segundo a PM, que foi até a LAN house imprimir uns documentos e que voltaria rápido para o carro. Segundo ele, o filho foi deixado no local porque dormia.

O pai da criança foi preso e vai responder por abandono de incapaz. Ele pagou a fiança no valor de um salário mínimo e foi solto.

O Conselho Tutelar foi acionado para analisar o caso e decidiu não tirar a guarda da criança da família.

Bebê com policial após ter ficado 40 minutos preso em carro (Foto: Divulgação/PM)

Bebê com policial após ter ficado 40 minutos preso em carro (Foto: Divulgação/PM)

OUTROS CASOS

Esse não é o primeiro caso de criança deixada no carro pelos pais. Em outras ocorrências, onde os pais esqueceram seus filhos nas cadeirinhas, as crianças não resistiram e morreram.

O caso mais recente foi em dezembro do ano passado quando um menino de dois anos morreu após  ficar cerca de cinco horas fechado dentro do carro do pai na avenida Filinto Muller, no bairro Quilombo, em Cuiabá (MT).

O pai afirmou à polícia que se confundiu com a rotina, indo para o trabalho e esquecendo a criança dentro do carro.

Em fevereiro do ano passado, um outro bebê de sete meses morreu após ter sido esquecido dentro de um carro em Divinópolis (a 120 km de Belo Horizonte).

O menino foi deixado  pelo pai em um Uno por cerca de seis horas no estacionamento de um supermercado, sob forte calor.

O pai foi para o supermercado trabalhar e se esqueceu de que deveria deixar o filho com a babá, segundo depoimento dele à polícia.

Como deve ser a participação das avós - e das sogras - na vida dos netos

Por Folha
28/10/14 10:46
Gerações devem ter convívio sempre, diz psicopedagoga (Foto: Robson Ventura/Folhapress)

Gerações devem ter convívio sempre, diz psicopedagoga (Foto: Robson Ventura/Folhapress)

Como é a sua relação com a avó dos seus filhos? A grande maioria deve ter pensado em adjetivos nada agradáveis para a pergunta acima. E aposto que a primeira pessoa que pensou é na sogra. Não, não estou falando apenas da sua sogra, mas também da sua relação com a sua mãe após a maternidade.

A relação mãe e filha e sogra e nora muda muito após a chegada dos tão sonhados netinhos. E nem sempre é para melhor. A psicopedagoga Elizabeth Monteiro, que é mãe de dois casais e avó de seis netos, diz que a relação sempre é mais complicada com as sogras do que com as mães. “A relação de filha com a mãe é sempre mais fácil, afinal, é filha e, se brigarem, fazem as pazes. Com sogra é diferente”, diz.

O que a psicopedagoga vê diariamente em seu consultório é as rixas com a sogra que podem “destruir a felicidade da família”. Questiono Elizabeth se a palavra “destruir” é a mais apropriada, ela  diz que sim. Ela conta que cerca de 60% das brigas familiares acontecem entre sogra e nora e que as consequências para uma família são grandes.

“Casamentos são destruídos porque o marido normalmente não toma a atitude de colocar a mãe no lugar dela”, diz Elizabeth. Segundo ela, se o casamento não acaba, a tendência é que o filho acabe se afastando da mãe e, consequentemente, os netos da avó.

Mas, por que as brigas são tão comuns? A psicopedagoga explica que as avós – sejam do lado do pai ou da mãe da criança – revivem no neto a sua própria maternidade. “Sem ou muitas vezes com intenção elas querem tomar o lugar da mãe. Elas vão se dar conta de que os filhos vão crescendo e que aquela criança não é dela”, diz Elizabeth, que acaba de lançar o livro “Avós e sogras – Dilemas e delícias da família moderna (Summus Editorial)”.

De acordo com a psicopedagoga, quando a mulher vira mãe, ela precisa montar o quebra-cabeça da maternidade sozinha. “O amor materno é construção, é cuidar, acolher, zelar e ninguém pode dar as peças para ela”, diz. Mas, seja por amor em excesso, as avós pecam e não permitem, por exemplo, que a mãe aprenda e erre sozinha.

Quando nasce um bebê, por exemplo, é muito comum a avó ficar na casa da nora ou da filha nos primeiros dias. A psicopedagoga diz que se ela está lá é para ajudar com os cuidados da casa, lavar louça, passar roupa, preparar refeições, etc. “Muitas vezes a sogra é inconveniente e a mulher que acabou de ter o bebê tem que fazer as honras da casa e ainda cuidar do recém-nascido. Fora quando não leva uma comitiva para visitar”, relata.

A psicopedagoga explica que é totalmente dispensável ficar questionando a nova mãe, por exemplo, o motivo de não dar chupeta, ou se tem leite suficiente ou ainda insistir para dar doce ou refrigerante para aquela criança.

Segundo ela, outro erro muito comum é distinguir os netos, ou seja, dar atenção e mostrar predileção só para os filhos da filha, por exemplo, ou ainda por aquele que se parece mais com a sua família.  “É cruel ver vó que só fica com determinados netos, que comparam os netos. Ou fazem isso por maldade ou por pura ignorância”, diz.

O IMPORTANTE PAPEL DAS AVÓS

Elizabeth diz que não está demonizando o papel da avó. Elas são figuras de extrema importância na vida dos nossos filhos. Segundo ela, pesquisas mostram que crianças que convivem com os avós são mais felizes. “As crianças precisam de muitos modelos. As avós são  para dar equilíbrio, muitas vezes nossos filhos na adolescência procuram a avó ou o avô para contar algo que não tem coragem de contar para os pais, por exemplo”, exemplifica.

Ela conta que os avôs são serem com mais paciência, carinhosos, com experiência de vida e que podem agregar muito na vida da criança passando por exemplo valores, as histórias de outras gerações, etc.

Avó é aquela que espera os netos com bolo assando, que é o colo que muitas vezes os netos recorrem e uma referência que eles podem sempre procurar. Bem diferente da figura de birotinho e cabelos grisalhos, as avós hoje em dia são mais modernas, muitas ainda  trabalham e estão conectadas com as redes sociais, isso não impede, no entanto, que sejam carinhosas e próximas dos netos.

As noras, explica a psicopedagoga, também não são santas. “Tem nora que também é paranoica, não entende que o filho precisa ver a mãe e que não precisa disputar com ela”, diz. A psicopedagoga aconselha que as noras não falem tudo o que pensam pois ninguém – nem nossos maridos – querem ouvir mal da mãe ou do pai dele. “Tem que aprender a lidar com a nova família”, diz.

Avó com o neto no colo (Foto: Carlos Cecconello -  15.mar.2011/Folhapress

Avó com o neto no colo (Foto: Carlos Cecconello – 15.mar.2011/Folhapress)

DICA DE OURO

Para que a avó tenha participação na vida dos netos, sem conflitos, a psicopedagoga dá uma dica, que considera “de ouro” para uma relação dar certo: só dê palpite quando for solicitada.

“Na vida não existe certo ou errado. Existe o que é certo para você, o que serve para a sua família, mas nem sempre vai servir para a sua nora”, diz. Como avó de seis netos, ela diz que se algo incomoda, apenas sai de perto e só emite opinião quando é questionada. Ela conta que aprendeu a agir dessa maneira com as noras e filhas após ouvir tantas queixas dentro de seu consultório.

Para a psicopedagoga, um erro muito comum é que os casais após terem filho não tem vida própria. “Fim de semana de folga é para visitar a casa da avó. A nova família precisa viajar, fazer passeios só o casal e os filhos. A vida deles vira um inferno nos fins de semana e piora ainda mais em datas festivas, como Dia das Mães, Natal e Ano Novo”, comenta.

Elizabeth diz que as avós devem entender que já viveram a sua vida e que o filho ou filha precisam viver a dele e fazer o que desejam. “Elas não podem ficar se fazendo de vítima. Se o filho quer passar o Natal com a família da mulher, não fale nada. Melhor ele feliz do que ficar um pouco na casa de cada um e insatisfeito e brigando com a própria mulher”, aconselha.

A psicopedagoga diz ainda que para o relacionamento sogra e nora dar certo é preciso também que a relação não seja muito próxima. “Não dá para ter intimidade, mas apenas uma relação cordial e de respeito. Nada mais do que educação”, afirma. Ou seja, vale a famosa frase: sogra não pode morar nem tão perto para que venha de chinelos nem tão longe para que venha de malas.

Inmetro passa a certificar cadeirinhas com isofix e dá prazo para acabar com cinto de 2 pontos

Por FABIANA FUTEMA
27/10/14 16:54

O Inmetro passará a avaliar a segurança das cadeirinhas infantis com fixação isofix _sistema de afivelamento ao banco do carro. A inclusão da avaliação do sistema isofix consta da portaria 466, editada no último dia 16.

A portaria não proíbe a venda de cadeirinhas sem esse tipo de fixação. Vale lembrar que muitos carros também não oferecem esse tipo de afivealmento.

De acordo com a portaria, fabricantes nacionais e importadores de cadeirinhas que dispõem do sistema isofix terão 18 meses de prazo para adequação às novas regras. Produtos que estiverem fora de conformidade com as novas exigências deverão parar de ser comercializados em 24 meses. Já o comércio, terá 12 meses para escoar o estoque, a contar do período de adequação da indústria/importadores.

Ao término de todos os prazos, que somam 36 meses, só poderão ser comercializados produtos que tenham o isofix devidamente certificados.

CINTO DE DOIS PONTOS

As cadeirinhas infantis mais seguras são aquelas que possuem cinto com cinto pontos. Segundo o Inmetro, entretanto, ainda há cadeiras com cintos de dois pontos de segurança.

A portaria proíbe a comercialização de cadeiras infantis com cintos de dois pontos a partir de 30 de junho de 2015 por fabricantes e importadores. No varejo, a proibição deve ser aplicada a partir de 31 de dezembro de 2015.

 

Cadeirinhas com isofix serão certifiicadas pelo Inmetro (Editoria de Arte/Folhapress)

Cadeirinhas com isofix serão certifiicadas pelo Inmetro (Editoria de Arte/Folhapress)

Hospital do SUS reduz episiotomia ao tirar médico do parto normal

Por Giovanna Balogh
24/10/14 09:47

 

Mulher durante parto normal realizado no hospital Sofia Feldman (Foto: Divulgação)

Mulher durante parto normal realizado no hospital Sofia Feldman (Foto: Divulgação)

O hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte (MG), conseguiu reduzir drasticamente o número de episiotomias – corte feito entre a região do ânus e da vagina durante o parto normal – nos últimos 12 anos. O procedimento, que estava presente em 60% dos partos em 1992 é de apenas 4% neste ano.

O diretor clínico do hospital, João Batista Marinho de Castro Lima, atribui o sucesso a uma mudança de prática na unidade: enfermeiras obstetras acompanham os partos normais e não mais os médicos. “Os dados mostram que a queda mais drástica nas episiotomias ocorreu entre os anos de 1998 e 1999 quando colocamos enfermeiras em todos os plantões. Caímos para 10%”, explica. Segundo ele, após a prática deixar de ser rotineira, as lacerações são mais frequentes, mas a maioria de primeiro grau, ou seja, mais simples do que uma episiotomia que é uma cirurgia que provoca uma laceração de, no mínimo, segundo grau.

Para o médico, os médicos não foram formados para atender um parto normal sem episiotomia. Segundo ele, é o que se aprende nas residências médicas e foi o que ele aprendeu também. “Os médicos não são maus. Todos que estão fazendo [a episiotomia] acham que estão fazendo em benefício da mulher. Mesmo com o conhecimento de evidências de que a prática não é necessária, a mudança de prática é difícil. A forma de mudar a prática é no processo de formação”, relata o médico. Segundo ele, os residentes do Sofia Feldman não fazem episiotomia.

Os dados foram passados por Lima durante uma audiência pública realizada na tarde de quinta-feira (23) no Ministério Público Federal. O evento, que lotou o auditório, foi feito após a Procuradoria instaurar um inquérito civil para apurar a violência obstétrica e notar que a episiotomia está presente em boa parte das denúncias.

“As mulheres não estão satisfeitas como o nascimento está sendo feito no Brasil. Os médicos precisam pensar em como mudar a realidade e precisam estar envolvidos nessa discussão”, disse a procuradora Ana Carolina Previtalli Nascimento. Para ela, mesmo as mulheres esclarecidas não sabem o que é a episiotomia e precisam ser informadas sobre os riscos e benefícios de qualquer procedimento antes, durante e após o parto.

Lima explica que as gestantes de baixo risco são atendidas na casa de parto normal do Sofia Feldman e que só são removidas para a maternidade se desejam anestesia ou caso haja algum tipo de complicação, quando passam a ser atendidas por obstetras. O diretor clínico diz ainda que a violência obstétrica deixa de existir se as  mulheres estão sempre acompanhadas de sua família durante o período que estão no hospital. “Não deveria nem ter lei para isso. Basta ver os resultados e os benefícios que traz a mulher estar acompanhada”, diz.

A maternidade de Belo Horizonte é filantrópica e atente pacientes apenas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O hospital, que é referência no país em parto humanizado, também recebe gestantes de alto risco e, por esse motivo, as taxas de cesáreas chegam a 25%, índice considerado baixo já que nas maternidades particulares do país a taxa é de 90% e, do SUS, de 52%. A unidade faz cerca de 940 partos por mês e é a com maior número de partos do país.

Mulher usa banheira durante parto em hospital público (Foto: Divulgação)

Mulher usa banheira durante parto em hospital público (Foto: Divulgação)

A médica Melania Amorim, que há 12 anos não faz episiotomias, também esteve presente na audiência pública e disse que trabalha “pelo fim do corte mutilador”. “Nas escolas de medicina ensinam que a episiotomia é para manter a integridade do assoalho pélvico. Como vai manter se vão cortar?”, questiona.

Segundo ela, o vai e vem da cabeça do bebê durante o trabalho de parto preserva a musculatura perineal. “É nesse momento que o médico pega o bisturi ou a tesoura e corta. Acham que o corte vai fazer bem. A episiotomia não traz benefício algum”, diz. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda uma taxa de apenas 10% de episiotomia. No Brasil, segundo a pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz, 54% das mulheres são submetidas ao corte nos partos. No caso de primíparas (primeiro filho), o índice chega a 74%.

Segundo ela, a episiotomia configura violência obstétrica pois o médico só pode fazer sem o consentimento da paciente se existir risco iminente de morte o que, explica a médica, não é o caso. “Aprendi na residência que cortar durante a contração não sente o corte, o que é mentira. Por isso muitos médicos cortam e suturam sem nem dar anestesia”, diz.

A médica Simone Diniz disse durante a audiência que, infelizmente, o parto normal é visto como algo nojento, que provoca a frouxidão da vagina. “Nos hospitais-escola a vagina da mulher pobre está lá para o aluno aprender a cortar e suturar. A mulher precisa sair do parto com integridade corporal”, relata. Para ela, a mulher parir deitada impossibilita ainda mais que o parto seja feito da forma mais natural possível e que não adianta querer apressar o período expulsivo.

Segundo ela, muitas mulheres acham que a episiotomia está presente em todo parto. “Já ouvi paciente dizer que se vai cortar por cima ou por baixo, prefere em cima pois embaixo é uma área mais nobre”, diz Simone. Para ela, é preciso ter educação perinatal, com exercícios perineais, plano de parto e acabar com manobra de Kristeller (pressionar a barriga da gestante para o bebê descer), por exemplo, que é associado a dano perineal.

“Se não haver regulação da taxa de episiotomia, nada vai mudar”, relata. Segundo ela, por ser uma cirurgia, deve estar no prontuário médico, o que nem sempre ocorre.

A médica Rossanna Pulcinelli Francisco, representante da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de SP), foi a única presente que defendeu o uso da episiotomia em casos específicos. “Nenhum médico foi formado para fazer o mal. Tema violência obstétrica incomoda pois pressupõe a intenção de ser violento. Na episiotomia não acredito na intenção de ser violento”, relatou.

Segundo ela, a gestante deve saber se não tiver uma episiotomia que poderá ter lacerações. “Estudos mostram que 50% a 60% tem períneo integro, mas também poderá ter laceração e a mulher precisa saber. O consentimento precisa ser livre e esclarecido. As pessoas precisam ter todos os esclarecimentos”, diz.

DEPOIMENTOS DE MÃES QUE TIVERAM EPISIOTOMIA

Durante a audiência, duas mães deram depoimentos emocionados sobre as episiotomias sofridas nos nascimentos dos filhos. A doula Laura Alonso, teve sua filha Mariane há um ano em um hospital particular do ABC. Além de ter sido negado o acompanhamento do marido, a filha ficou sete horas no berçário afastada da mãe após todo o sofrimento e dor no parto.

“Fiquei deitada, nua, com as pernas amarrada em posição ginecológica cercada por 14 enfermeiras e dois médicos. Pedi para não me cortar e o médico plantonista me cortou . Senti minha vagina rasgando. Sem anestesia, sem consentimento. Pedi que parasse, mas não fui ouvida. Fui cortada e suturada sem anestesia”, diz Laura, que tem uma cicatriz de sete centímetros e até hoje tem dificuldades para ter relações sexuais.

Marina Dias também relatou o seu sofrimento em um hospital-escola de São Paulo. “Fui tratada como uma cobaia. No parto da minha primeira filha tinha dois residentes. O médico deu uma tesoura para cada um e falou ‘você corta desse lado e você desse’. Eles tinham que aprender como costurar”, diz Marina, que levou oito pontos do lado direito e cinco do lado esquero.

“Hoje em dia tem tanta tecnologia, não ´é possível que eles tenham que usar o ser humano como cobaia. Fiquei dois anos sem conseguir ir direito ao banheiro e ainda sinto a marca da cicatriz”, lamenta.

Ao ouvir o depoimento das duas mães, a procuradora disse ainda que “mulher não é objeto e precisa ser respeitada”. “Há dispositivo no Código Penal que prevê crime de constrangimento ilegal. A episiotomia de forma abusiva não é só infração  ética. É crime e deve se denunciada, além da questão da lesão corporal que é indiscutível”, ressalta.

Niterói quer derrubar lei que amplia licença paternidade a servidores para 30 dias

Por FABIANA FUTEMA
23/10/14 12:12

Durou pouco a alegria de alguns pais de Niterói, no Rio de Janeiro. A Câmara Municipal da cidade aprovou na semana passada emenda à lei orgânica do município ampliando a licença paternidade dos servidores públicos para 30 dias. Pela lei, os pais têm direito a cinco dias de licença após o nascimento do filho.

De autoria do vereador Henrique Vieira (PSOL), a lei não precisou de sanção do prefeito para entrar em vigor.

O assunto só foi levado à discussão da Câmara após um único servidor conseguir ampliar a licença para 30 dias para cuidar do filho adotivo. O beneficiado trabalha na Fundação de Arte de Niterói.

No entanto, a prefeitura quer derrubar a lei por entender que ela pode prejudicar a manutenção de serviços básicos para a cidade, como limpeza, saúde ou educação.

No recurso, a prefeitura argumentará que a Câmara não tem poderes para legislar sobre as regras de trabalho dos servidores municipais. “A Câmara não tem competência para mudar o regime jurídico dos servidores. A iniciativa para qualquer mudança nesse sentido tem que partir do Executivo”, afirmou o procurador-geral do município, Carlos Raposo.

Além da questão jurídica, Raposo afirma que a ampliação da nova lei tem impacto na prestação de serviços à população e aos cofres municipais. “Quase metade dos nossos servidores são homens. Se uma parcela muito grande tirar 30 dias de licença, alguns serviços podem ser prejudicados.”

Segundo ele, com a eventual falta de mão de obra, ou haverá servidores a menos na prestação de serviços ou a prefeitura terá de fazer contratações emergenciais.

Raposo afirma o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PT-RJ), pretende derrubar a lei aprovada e enviar um novo projeto sobre o período da licença-paternidade. “Ele entende que 30 dias é muito tempo, pois os servidores já têm férias e licença-prêmio, por exemplo. Ideia é enviar um projeto que amplia a licença em relação aos atuais 5 dias, mas menor que os 30 dias.”

Documentário mostra quem são as 'clandestinas' que abortam

Por Giovanna Balogh
23/10/14 07:02
Antônia (nome fictício) abortou duas vezes (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Antônia (nome fictício) abortou duas vezes (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Toda mulher deve ser mãe? Não. Nem todas querem ter filhos ou porque nunca quiseram, ou porque simplesmente não desejam ter naquele momento. Enfim, ninguém é obrigado a ter um filho se não quer. Filho é para a vida toda, filho dá trabalho, despesa, mas é claro, inúmeras realizações e alegrias desde que você deseje ter essa criança.

O aborto, que é considerado crime no Brasil, ainda é um tabu. Questões religiosas entram sempre na discussão sobre quando começa de fato a vida, mas isso impede o aborto? Não. Diariamente mulheres abortam, mas procuram clínicas clandestinas ou compram medicamentos e abortam sozinhas, conforme reportagem da Folha publicada na edição desta quinta-feira (23). O próprio CFM (Conselho Federal de Medicina) defende que o aborto seja feito com segurança até a 12ª semana de gestação.

Pesquisa Nacional de Aborto, da UnB (Universidade de Brasília) mostra, por exemplo, que uma em cada cinco mulheres já fez pelo menos um aborto na vida. A maioria delas, segundo a pesquisa, se declarava católica, ou seja, a religião não impediu a interrupção da gravidez.

Relatos reais de quem já vivenciou um aborto são mostrados no recém-lançado documentário “Clandestinas”.  A idealizadora, Renata Corrêa, diz que independentemente de a lei considerar o aborto um crime, as mulheres continuam interrompendo as gestações indesejadas.

“Isso é um fato. Elas vão continuar fazendo isso, por diversos motivos. Quando elas fazem na clandestinidade estão expostas a métodos inseguros, a criminosos, como no caso da Jandira, que foi assassinada no Rio. Estamos condenando essas mulheres à morte quando o aborto é criminalizado.”

Renata se refere ao caso de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, 27, dada como desaparecida no final de agosto após ter ido fazer um aborto em uma clínica clandestina na zona oeste do Rio. O corpo dela foi encontrado carbonizado em um carro, no bairro de Pedra de Guaratiba, zona oeste. Jandira estaria grávida de três meses.

Algumas mulheres do documentário são atrizes que relatam o caso de jovens que preferem o anonimato, mas há outras que mostram o rosto e admitem ser “clandestinas”.

O documentário foi lançado no dia 28 de setembro, que é o  dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto.

LEI MATA MULHERES

“A lei atual que proíbe o aborto é eficaz apenas para matar mulheres. Quantas mulheres vão ter que morrer para entendermos que a lei não tem efeito?”, questiona o ginecologista e obstetra Jefferson Drezzet.

O médico, que é coordenador do Ambulatório de Violência Sexual e de Aborto Legal do Hospital Pérola Byington, diz que os abortos continuam sendo feitos mas, que por ser considerado crime, as mulheres fazem  o procedimentos sozinhas adquirindo medicamentos de procedência duvidosa ou em clínicas clandestinas.

Drezzet explica que há duas opções de clínicas que fazem abortos: as que têm estrutura e oferecem à mulher um aborto com segurança e as que são verdadeiros “matadouros de mulheres” onde o procedimento é feito por pessoas sem qualificação e sem qualquer estrutura. “A primeira opção é cara, ou seja, a lei prejudica ainda mais as mulheres pobres, que estão mais vulneráveis e mais sujeitas a um procedimento incorreto e arriscado”, explica.

O médico diz que dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que, no mundo, 600 mil mulheres morrem por ano em decorrência do aborto inseguro. “No Brasil, uma mulher morre a cada dois dias”, comenta.  Ele ressalta que além das mortes, há várias complicações decorrentes do procedimento feito na clandestinidade. “O aborto pode ser muito seguro ou extremamente inseguro. O que diferencia é como, onde  e por quem ele é feito”, observa.

Drezzet diz que o Uruguai, que descriminalizou recentemente o aborto, o número de mortes e complicações tiveram reduções expressivas sem aumentar os casos de aborto.

“A ideia é dar mais segurança para a mulher que quer fazer o aborto. Se ela está decidida a não ter o bebê, vai fazer de qualquer maneira”, avalia.

Diferente do Uruguai e de boa parte dos países desenvolvidos, o Brasil ainda não tem qualquer perspectiva de mudar a legislação vigente sobre o assunto. Barreiras religiosas e políticas travam mudanças no Código Penal neste assunto. Durante a campanha eleitoral, os dois candidatos à Presidência da República declaram ser contra a descriminalização do aborto. Para o médico, a questão do abortamento não deve ser visto como questão religiosa, mas como um problema de saúde pública.

DESCRIMINALIZAÇÃO E BANALIZAÇÃO

No filme, as mulheres mostram que a descriminalização não significa a banalização do aborto, ou seja, o procedimento não será usado como método contraceptivo. “Ninguém pensa em fazer aborto ou dizer ‘vou lá fazer um abortinho’”, diz uma das personagens.

Um dos depoimentos mais impactantes é o de uma mulher que abortou e foi até um hospital procurar atendimento após complicações. “As enfermeiras a protegeram e falaram para ela mentir que o aborto tinha sido espontâneo. As próprias enfermeiras  disseram que o plantonista a deixaria morrer se descobrisse a verdade”, comenta a idealizadora do documentário.

A questão é: a mulher que é submetida a um aborto, lembre-se que ela pode ser sua irmã, sua prima ou sua namorada, deve ser presa ou morrer em uma clínica clandestina?

Veja abaixo o “Clandestinas” na íntegra:

Veja o vídeo

 

Grávidas ‘viram’ sereias em ensaio aquático de fotógrafo americano

Por FABIANA FUTEMA
22/10/14 19:47

Esqueça os tradicionais books de grávidas. O fotógrafo americano Adam Opris inovou o mercado de álbum de gestante com seu ensaio debaixo d’água.

Em entrevista ao ‘The Huffington Post”, Opris diz que pesquisou sobre a segurança das grávidas no meio aquático antes de iniciar seu projeto.

“Depois de algumas pesquisas, descobri que a água não só era segura como era um meio indicado para grávidas, pois ajuda a aliviar o peso das costas e articulações”, disse.

As roupas leves combinadas ao cenário fizeram com que as grávidas ficassem parecidas com sereias.

Na entrevista, Opris afirmou que está tirando as “sereias que existem dentro de cada grávida” com seu projeto, que reflete o amor à água.

Em algumas fotos, as gestantes foram clicadas ao lado do marido. Em outras, ao lado do filho que em breve ganhará um irmãozinho _ou irmãzinha.

Veja as fotos e responda: elas não são incríveis?

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