Maternar

Dilemas maternos e a vida além das fraldas

Perfil Fabiana Futema, mãe de Kazuo, e Giovanna Balogh, mãe de Bento e Vicente

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O perigo de terceirizar a criação dos nossos filhos

Por Giovanna Balogh
15/04/14 08:41
Babá leva crianças para um clube na zona oeste de SP (Foto: Carlos Cecconello - 24.fev.2011/Folhapress)

Babá leva crianças para um clube na zona oeste de SP (Foto: Carlos Cecconello – 24.fev.2011/Folhapress)

A mãe desce do carro mexe no celular enquanto o pai pega algo no porta-malas. O bebê, chorando no carrinho na calçada, é balançado insistentemente pela moça toda vestida de branco. Em nenhum momento os pais pegam o filho no colo ou chegam mais perto dele para ver o que ocorre. Por incrível que pareça, a mãe não estava ocupada naquele momento, nem ele. Era um fim de semana e todos estavam a caminho de um restaurante.

A cena descrita acima mostra uma clara terceirização da criação de uma criança. Mãe e pai não se preocuparam em nenhum momento em acalentar o filho. E a terceirização seguiu durante o almoço…a babá deu comida, distraiu a criança e saiu para trocá-la enquanto o casal almoçou e conversou sem interrupções apesar de haver um bebê na mesa.

Todo mundo sabe que a mulher moderna ao trabalhar fora e cuidar da casa e dos filhos muitas vezes precisa de ajuda, seja de uma empregada doméstica ou de uma babá ou ainda da avó da criança. Cada um estrutura sua vida de acordo com a sua rotina e com as suas necessidades, ou seja, tem gente que opta em cuidar de tudo sozinho e outros que preferem um ‘help’. Mas, até que ponto essa mãozinha extra pode ou não ser saudável?

O que vemos com muita frequência é mãe com os filhos e a babá até em momentos de lazer, como no parque ou no shopping, quando os cuidados daquela criança ficam apenas no entorno da mulher de branco. A mãe mesmo estando ‘presente’ naquele espaço físico dá mais atenção às compras, por exemplo, do que saciar o interesse ou necessidade do filho. “Fulana, a escova de dentes dele está boa?”, disse uma mãe a uma babá outro dia em uma perfumaria. Ou seja, essa mãe não escova os dentes do filho? Nem uma vez por dia para saber se a escova está ou não mastigada?

O psicólogo e terapeuta familiar, Alexandre Coimbra Amaral, diz que o objetivo não é condenar quem contrata uma babá, que cuida com carinho e afeto dos nossos filhos. Ele alerta, no entanto, que precisamos de cautela para não entregar a elas o cuidado e o lugar de referência. “É uma perda considerável para a criança e para os pais, porque eles deixam de viver a beleza que poderiam viver com o filho e às vezes nem tinham conhecimento. Os filhos deixam de tê-los como esteio, e isso constrói socialmente uma lacuna que é importante, embora eles não estejam descuidados necessariamente. Eles vão olhar para os lados, ver outros pais que sim, cuidam, e pensarão: “os meus não estão tão do meu lado assim”. Isto é uma fonte de sofrimento, quando chega à consciência”.

MOMENTOS DE LAZER

O psicólogo diz que as horas de lazer são momentos de construir “pequenos e sucessivos rituais de conexão com nossos filhos”, ou seja, é nesse momento que eles conhecerão melhor quem somos (seus pais) e nós teremos acesso às suas crenças e como estão construindo a sua visão de mundo. “Isto é de uma riqueza insubstituível”.

Amaral diz que se a babá fizer apenas os cuidados básicos não há problema algum. O que deve ser evitado é a babá funcionar como figura central de apego, ou seja, o adulto de referência emocional que dá sustentação psíquica para a criança construir sua exploração do mundo. “O problema é que queremos tudo: queremos ter filhos, continuar com nossas vidas cheias de compromissos, mas não temos a capacidade de suportar que nossos filhos se estruturem mais na confiança de outro adulto do que de nós. Sofremos quando não somos estas figuras de referência”.

O problema, portanto, é a transformação do cuidador terceirizado em figura de referência, figura central de apego. “A intimidade com a criança constrói naturalmente esta conexão, a criança passa a confiar e precisar da presença daquele adulto que, em frequência e excelência de cuidado, está do lado dela. Se os pais estão mais fora do que dentro do seu cotidiano, a criança vai construir esta ligação com um terceiro, necessariamente”.

MOMENTOS DE INTIMIDADE

Uma mãe pode trabalhar fora e ainda sim cuidar/criar muito bem de seu filho desde que compartilhe com ele momentos de intimidade e entrega, ou seja, chega do trabalho e brinca com ele, dá banho, jantar e o coloca para dormir. “A mãe que contrata babá de fim de semana, babá noturna, enfim, não está na linha de frente do cuidado do filho que fica desnutrido afetivamente, ou seja, há a terceirização da criação”, comenta o psicólogo.

Amaral diz que é preciso achar uma forma de equilibrar a soma entre trabalho, lazer, vida privada dos pais e não obstruir a disponibilidade mínima de tempo e energia que um bebê precisa, principalmente, nos dois primeiros anos de vida (fase de simbiose),  quando a formação do vínculo com ele é crucial para o bom desenvolvimento. Ou seja, cada pai, cada mãe vai encontrar – mesmo aos trancos e barrancos – o seu ponto de equilíbrio. “Ser mãe e pai dá trabalho, exige tempo, esforço, mudanças internas, reorganização da vida, das metas, da rotina, das prioridades. Exige muitas metamorfoses, que são inclusive o que a gente trabalha com as mulheres puérperas, que começam a sacar isso logo que estão naqueles duríssimos primeiros meses, pós-nascimento do filho, acostumando-se às novas rotinas e sobretudo à nova identidade”.

O psicólogo conta que a mãe que trabalha fora não precisa terceirizar, mas compartilhar o cuidado por algumas horas seja com a babá, com as professoras da escola ou com a avó da criança. “Se tomamos o provérbio africano “it takes a village to raise a child” [é preciso uma vila para criar uma criança], na formação da ‘vila’ os pais se responsabilizam qualitativa e quantitativamente pelo cuidado dos filhos, ou seja, não delegam para terceiros, mas contam com a ajuda de outros adultos”, afirma Amaral. “Terceirizar é repassar a responsabilidade, é alienar-se da função em sua grande parte. Compartilhar é outra coisa. Compartilhar o cuidado é reconhecer que se necessita de uma vila para se criar uma criança”.

O terapeuta diz que muitas vezes quando coloca em uma sala de terapia os pais e os “cuidadores terceirizados” para conversar sobre a criança. “O resultado em muitos momentos é constrangedor para os pais, porque a babá, por exemplo, é quem dá as respostas mais precisas sobre quem é a criança que ela cuida”.Segundo Amaral, isso acontece porque são elas quem convivem mais com a intimidade daquela criança e, portanto, tem acesso às minúcias do que ocorre em suas vidas. “Os pais podem se transformar em figuras distantes, ainda que com um papel marcado como, por exemplo, de mero provedor financeiro”.

DEDICAÇÃO SUFICIENTE?

Amaral diz que quem vai dar sinas de que o tempo dado pelos pais não é suficiente é a própria criança. Ele conta que uma vez presenciou uma garota dizer: “eu tenho tudo o que quero, quando eu quero, menos o que eu quero, que é você, pai”.

Muitas vezes as crianças não vão falar tão diretamente, principalmente as menores, mas vão dar sinais que podem ser desde birras, problemas de convivência com colegas, irmãos, rejeição ou extremo apego à outra figura de cuidado, como a babá. “É o filho quem vai dizer se está bem para ele a quantidade e a qualidade da presença materna ou paterna. Quando ele sente falta, dá algum sinal. Na verdade estão apresentando sintomas para trazerem seus pais de volta”. E seu filho, já deu algum sinal de que algo não vai bem?

Especialista alerta sobre riscos dos jogos eletrônicos para a saúde das crianças

Por FABIANA FUTEMA
14/04/14 07:36
Neuropediatra diz que jogos eletrônicos causam dores musculares e interferem no sono (Foto: Shutterstock)

Neuropediatra diz que jogos eletrônicos causam dores musculares e interferem no sono (Foto: Shutterstock)

Qual a idade certa para apresentar o videogame para uma criança? Essa pergunta parece ter ficado ultrapassada, já que os joguinhos não estão mais restritos aos consoles de casa. Agora estão ao alcance de dedinhos cada vez mais novinhos em tablets e celulares que nós mesmos deixamos os pequenos manusearem.

O neuropediatra Christian Muller, membro da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), diz que não dá para proibir a criança de jogar.  “Talvez tenhamos que discutir não só a precocidade, mas a questão da imposição de limites, de restringir o uso. Uma criança de 2 anos, por exemplo, não deveria usar um tablet.”

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria estabeleceram limites para a exposição das crianças a todo tipo de mídia (TV, games, dispositivos móveis), segundo a terapeuta Chris Rowan. Recomendam que crianças de 0 a 2 anos não tenham nenhum tipo de exposição à tecnologia. O limite para as de 3 a 5 anos é de uma hora diária. O tempo sobe para duas horas diárias para crianças de 6 anos a jovens de 18 anos.

Segundo Muller, os pais precisam saber dos efeitos causados pelo excesso de exposição aos videogames e outros dispositivos eletrônicos. “Estudos comprovam que há efeitos físicos e até comportamentais”, diz Muller.

A má postura, por exemplo, provoca dores musculares na criança. Também há risco de desenvolvimento de úlcera na córnea, pois a criança fica muito tempo sem piscar enquanto joga videogame.

Muller afirma que os jogos eletrônicos podem potencializar sintomas de ansiedade e agressividade na criança. “Você pode observar algumas crianças batendo o dedo ensandecidamente na tela do tablet em busca de um ponto.”

Para reduzir sintomas de ansiedade e agressividade em crianças com deficit de atenção, Muller diz que os médicos recomendam atividades físicas. “Os jogos eletrônicos são o contrário da atividade física. Os exercícios reduzem a agitação.”

Muller diz que os jogos eletrônicos também provocam alteração do sono.  “A luz das telas dos jogos ficam no rosto da criança, reduzindo a produção de melatonina e diminuindo o sono. Isso é o contrário dos livros, que produzem sombra e dão um soninho.”

Outro problema causado pelo uso de dispositivos móveis são os acidentes por falta de atenção. “Há vários casos de quedas e traumas causados por pessoas que estavam jogando ou trocando mensagens”, afirma o médico.

Limites

O neuropediatra diz que os pais não precisam proibir, mas devem buscar um limite saudável. “Esse uso deveria ser pontual. Esse tempo jogando não deveria fazer parte do dia a dia da criança. Deveria ficar restrito a alguns momentos.”

E como entreter a garotada? Muller diz que os pais devem incentivar os filhos a praticarem mais atividades físicas. “É preciso encontrar diversão com atividade física.”

Muller diz que as crianças vão desenvolver a parte cognitiva brincando de encaixar tanto no tablet quanto com peças de brinquedo no chão de casa. “Os dois trabalham a parte cognitiva, mas só o brinquedo desenvolve a parte motora. O ato de encaixar se aprende fazendo.”

Inevitável

Fabiany Lima, mãe de gêmeas, desenvolveu o aplicativo gratuito TimoKids, com histórias educativas para duas faixas etárias: de 0 a 6 anos e de 7 a 12 anos.

Questionada se não era muito cedo para apresentar um aplicativo para uma criança de menos de um ano, Fabiany disse que a “tecnologia é inevitável”.

Segundo ela, o conteúdo das histórias presentes no aplicativo são seguras e estimulam o aprendizado e convívio social.

As histórias do aplicativo possuem trilha sonora que acompanha a narração e estimula a interação das crianças, que precisam ativar manualmente o áudio e clicar na tela, para alterar a página.

Médico diz que o uso de games e dispositvos móveis deve ser pontual na vida das crianças (Foto: Shutterstock)

Médico diz que o uso de games e dispositvos móveis deve ser pontual na vida das crianças (Foto: Shutterstock)

 

Mulheres fazem protestos e vigília contra o caso Torres

Por Giovanna Balogh
10/04/14 08:52
Imagem que será usada no protesto contra o caso Torres

Imagem que será usada pelas manifestantes no protesto contra o caso Torres (Ilustração: Ana Muriel)

Mulheres em 28 cidades prometem vestir roupas vermelhas e fazer amanhã (11) protestos contra a decisão da justiça de obrigar a gestante Adelir Carmem Lemos de Goes, 29, a ser submetida a uma cesárea, em Torres (RS). O caso aconteceu na madrugada do dia 1º quando a parturiente foi levada contra a sua vontade por policiais ao hospital Nossa Senhora dos Navegantes, onde foi submetida a uma cesariana. Os médicos que atenderam a gestante alegaram “risco iminente de morte” da mãe e do bebê.

Em São Paulo, o protesto será no largo São Francisco, no centro de São Paulo, onde gestantes, mulheres com bebês de colo e ativistas do parto humanizado prometem passar a noite em uma vigília contra o chamado caso Torres. A manifestação começa às 13h e seguirá até o sábado, às 11h, quando será feita uma marcha até o Ministério Público Estadual.  A ação contra a gestante foi ajuizada pelo promotor Octavio Noronha. Ele diz que fez o pedido à Justiça se baseando no laudo da médica que atendeu a paciente.

As manifestantes dizem ainda que o caso Torres é “uma violação dos direitos humanos que consistem na possibilidade das pessoas poderem escolher, mediante a informação, como, quando, onde e em que condições terão ou não terão filhos”. Elas também protestam por Adelir não ter direito ao marido como acompanhante durante o parto o que fere a lei federal 11.108/2005. O hospital alegou que o marido de Adelir foi proibido de entrar no centro cirúrgico pois estava “exaltado”.

Também estão previstos protestos amanhã em frente às embaixadas brasileiras de diversos países. Até o momento, estão confirmadas ações para as cidades de Londres, na Inglaterra, em Madri e Barcelona, na Espanha, em Santiago (Chile), Doha (Qatar) e Bogotá (Colômbia). A programação completa pode ser conferida no blog do protesto.

Para as ativistas, o caso Torres abre um precedente que afeta diretamente todas as mulheres. “O fato é que pode acontecer com qualquer uma de nós. Se você não quer ter seu corpo controlado pelas forças do Estado, essa luta é sua”, diz a obstetriz Ana Cristina Duarte em um vídeo gravado para convocar mais mulheres para a manifestação “Somos todas Adelir – ato contra a violência obstétrica”. Ela, que é uma das organizadoras do protesto em São Paulo, calcula que 2.000 pessoas vão passar pelo largo São Francisco nos dois dias de protesto.

No Rio,  a manifestação será em frente ao Ministério Público, na avenida Marechal Câmara, no centro, onde será feita uma vigília até as 20h.

Veja o vídeo

O caso Torres voltou a reacender o assunto de excesso de cesáreas no país. Enquanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesáreas, o Brasil tem taxas de 90% na rede privada e de 50% na pública. Para as manifestantes, o debate não é sobre o parto normal ou cesárea, mas pela imposição da cirurgia.

“Infelizmente vivemos no país campeão de taxas de cesáreas, um procedimento cirúrgico maravilhoso, teoricamente desenvolvido para salvar vidas maternas e fetais, mas que atualmente está absolutamente banalizado e atua como um dos grandes responsáveis pelas complicações e mortes maternas e dos recém-nascidos”, diz a médica obstetra Juliana Giordano Sandler.

O CASO

A justificativa dos médicos apresentada ao Ministério Publico, que foi quem ajuizou a ação, era de que a gestante não podia ter um parto normal porque teve duas cesáreas anteriores, o bebê estava pélvico (sentado) e pela gravidez ter atingido 42 semanas – uma gravidez a termo varia entre 37 e 42 semanas. A Justiça acatou o pedido e Adelir foi retirada por policiais militares da sua casa quando já estava em trabalho de parto ativo.

O exame de ultrassonografia da paciente, no entanto, indicava idade gestacional de 40 semanas. Na semana passada, o exame foi avaliado pela obstetra Carla Andreucci Polido, professora de medicina da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), que relatou que não havia indicação de emergência, ou seja, a cesárea não precisava ser feita naquele momento, segundo a obstetra.

“O exame mostra que a criança estava em ótimas condições. Líquido amniótico estava em grande quantidade, normal, tornado inclusive possível uma versão cefálica externa [virar a criança para a posição de cabeça], e que a idade gestacional calculada pela ecografia atual e pelas anteriores não atestava a gestação prolongada, como dito anteriormente”, comentou a médica. Segundo ela, o fato da mãe ter duas cesáreas anteriores não impede o parto normal pois a possibilidade de ruptura uterina, que foi alegada pelos médicos, é de 0,5% a 1%.

Sobre a ultrassonografia, o hospital afirmou que não há erro na idade gestacional do último exame pois as semanas foram calculadas com base em ecografias realizadas ainda no primeiro trimestre de gestação. “As ecografias realizadas no final de uma gestação têm por principal objetivo identificar os sinais vitais do bebê e a posição do feto para diagnosticar o parto adequado para gestante”, diz nota enviada pelo hospital.

“A correção dessa indicação médica foi confirmada no parto, devido à presença de mecônio do nenê na cavidade abdominal da mãe, que é um sinal indicativo de sofrimento fetal”, voltou a afirmar o hospital.

Cueiro dá ‘contenção gentil’ para deixar bebê tranquilo

Por Giovanna Balogh
08/04/14 07:22

Recém-nascido gosta e precisa de colo, peito e…aconchego. Quando nasce um bebê muitas vezes os pais ficam sem saber como saciar aquele choro aparentemente sem motivo. A fralda está trocada, o bebê está alimentado, então, o que ele quer? Algo bem simples e muito fácil de resolver: uma contenção.

Para oferecer essa contenção, os pais devem apelar para as receitas das vovós e das bisavós com o bom e velho cueiro. O cueiro nada mais é do que enrolar o bebê para que ele se sinta mais seguro e, consequentemente, consiga dormir melhor. “O bebê quando está na barriga da mãe tem uma contenção dos movimentos. Ao nascer, o mundo fica muito grande e isso muitas vezes incomoda o bebê. O cueiro foi feito para dar essa contenção elástica gentil”, comenta a pediatra Honorina de Almeida, conhecida como Nina, da Casa Curumim.

A pediatra diz que o cueiro consegue tranquilizar o recém-nascido. Ela explica que, diferente daquele ‘charutinho’ que era feito pelas nossas avós, o cueiro feito hoje em dia permite uma leve movimentação do bebê. “Antigamente fazia o enrolamento do bebê esticando as pernas e braços, o que é um erro. Ele ficava em extensão, mas precisa estar em semiflexão”, orienta.

Segundo a pediatra, prender muito pode gerar o efeito contrário, ou seja, irritar ainda mais o bebê. “O importante é fazer uma contenção confortável e gentil para que o bebê tenha alguma movimentação. O cueiro consegue tranquilizar o bebê”, comenta. O cueiro é útil na hora do bebê dormir assim como o balde ajuda a tranquilizar o recém-nascido na hora do banho, ou seja, há uma limitação de espaço que dá segurança a ele.  A médica diz que o cueiro pode ser usado, inclusive, na hora do banho. “Em vez de tirar toda a roupa, pode enrolar em fraldinha no bebê. Ele vai mais contido até entrar na água e então você retira”, explica.

Recém-nascida dorme enrolada em cueiro (Foto: arquivo pessoal)

Recém-nascida dorme enrolada em cueiro (Foto: arquivo pessoal)

A pediatra diz que os pais podem fazer o cueiro já nos primeiros dias de vida e que pode ser utilizado a qualquer momento do dia nos primeiros meses. A técnica tem sido usada, inclusive em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal onde os bebês em incubadoras são enrolados para ficarem um pouco mais tranquilos.

Ela explica que não há regras de quando a técnica não deve ser mais utilizada. “O bebê vai mostrar que não quer mais, que não se sente mais confortável”, diz Nina. Segundo ela, por volta do terceiro mês de vida a maioria dos bebês já não quer mais o cueiro.

O cueiro é muito aconchegante, principalmente, para as crianças que nascem nas épocas mais frias do ano. Mas, nos dias quentes também é possível fazer a contenção com um pano mais leve. A pediatra aconselha os pais a usar, por exemplo, tecidos como tolha fralda. Também é possível utilizar cueiros de flanela ou algodão. “No calor, pode enrolar o bebê só vestindo a fralda.”

Os bebês, no entanto, não devem passar o dia todo enrolado. “O bebê tem que ter experimentações. O cueiro deve ser usado quando ele estiver mais irritado. Tem bebê que usa na hora que é amamentado, outros para dormir. Não há regras”, explica.

Segundo ela, assim como o sling (carregador feito de pano), nem todos os bebês se adaptam ao cueiro. “Não serve para todos os nenês. Usa se gostar, se você se adaptar”, aconselha. Izabella Loiola, 33, que é mãe de duas crianças, conta que só conseguiu usar o cueiro na filha mais velha. “O meu filho suava demais e nunca ficou confortável no cueiro. Já com a Alice usávamos sempre que ela ia dormir”, diz Isabella, que aprendeu a usar o cueiro vendo vídeos na internet.

Para os pais que não conseguem utilizar um pano qualquer, há opções no mercado que já vem com o cueiro semipronto, como o baby wrap da Morada da Floresta, que facilita na hora de arrumar o bebê.

A designer de interiores Marina Beatriz Bassoi, 34, comprou um baby wrap nos EUA para usar nos primeiros meses de vida da filha Júlia, 1. “Usei até ela completar quatro meses. Usava todas as noites para ela dormir e algumas vezes durante o dia para tentar acalmar”, comenta.

Marina conta que percebeu que a filha ficava mais segura e não se assustava com os reflexos que tinha, por exemplo, enquanto dormia. “Ela dormia muito melhor quando estava no cueiro. Dormia a noite toda”, comenta. Quando o cueiro pronto estava lavando, Marina utilizava um pano comum e prendia com esparadrapo para não desenrolar com facilidade.

Veja como no vídeo abaixo:

Veja o vídeo

 

Mulheres fazem protesto após justiça obrigar mãe a fazer cesárea

Por Giovanna Balogh
04/04/14 12:56
A autônoma Sara Rabello teve duas cesáreas e quer um parto normal domiciliar (Foto: arquivo pessoal)

A autônoma Sara Rabello teve uma cesárea e quer um parto normal domiciliar (Foto: arquivo pessoal)

Grupos de defesa dos direitos das mulheres e ativistas do parto humanizado estão organizando protestos contra a decisão judicial que obrigou nesta semana a gestante  Adelir Carmem Lemos de Goes, 29, a passar por uma cesárea contra a sua vontade na cidade de Torres (a 193 km de Porto Alegre).

A página no Facebook “Não me obriguem a uma cesárea” contava hoje com mais de 5.000 participantes. Elas organizam protestos em várias capitais para o próximo dia 11 em frente às sedes do Ministério Público e planejam uma manifestação nacional, em data e local ainda a serem definidos.

Várias ativistas trocaram suas fotos do perfil com imagens na cor preta e escrito palavras como “luto” ou “somos todas Adelir”. Com a campanha #Nãomeobrigueaumacesárea, gestantes têm postado fotos de suas barrigas com os dizeres “meu corpo, minhas regras” e “eu não mereço ser cortada”. Para essas mulheres, ninguém tem o direito de legislar sobre a maneira como a gestante deseja ter seu filho.

Grávida de 29 semanas do terceiro filho, a autônoma Sara Rabello, 26, decidiu pintar a barriga e dar apoio a Adelir. “Simplesmente sou uma Adelir, então, é impossível não se sentir violada e desrespeitada. O que aconteceu com ela poderia ter acontecido com qualquer mulher. É uma mistura de medo e indignação”, comenta.

Sara teve um parto normal hospitalar na primeira gestação e a segunda filha nasceu após uma cesárea. Ela conta que a cirurgia foi agendada por “conveniência médica”. “Desta vez, meu filho vai nascer em casa”, comenta.

A estudante Alice Pereira Rocha, 19, está grávida do primeiro filho e também busca um parto normal. “Luto pelo meu parto normal pois muitos obstetras não respeitam a escolha das mães”, relata Aline, que vai ter seu bebê na casa de parto de Sapopemba, na zona leste de SP.

Mulheres que passaram pela cirurgia também protestaram mostrando as fotos de cicatrizes obtidas na cirurgia.

O caso ganhou grande repercussão após o hospital Nossa Senhora dos Navegantes entrar na  justiça para obrigar a internação de Adelir, que pretendia  ter um parto normal. Os médicos da unidade dizem que tomaram a decisão pois ela e o bebê corriam “risco iminente de morte”.

A justificativa dos médicos apresentada ao Ministério Publico, que foi quem ajuizou a ação, era de que a gestante não podia ter um parto normal porque teve duas cesáreas anteriores, o bebê estava pélvico (sentado) e pela gravidez ter atingido 42 semanas – uma gravidez a termo varia entre 37 e 42 semanas.

A Justiça acatou o pedido e Adelir foi retirada por policiais militares da sua casa durante a madrugada de terça-feira (1). O marido não pode acompanhar o parto. “Cheguei no hospital com nove centímetros de dilatação e ainda assim não tive escolha”, lamenta. Adelir diz que seu parto foi roubado.

ULTRASSONOGRAFIA

O exame de ultrassonografia divulgado ontem  mostra, no entanto, que o bebê estava com idade gestacional de 40 semanas. A pedido do Maternar, o exame foi avaliado pela obstetra Carla Andreucci Polido, professora de medicina da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), que relatou que não havia indicação de emergência, ou seja, a cesárea não precisava ser feita naquele momento, segundo a obstetra.

“O exame mostra que a criança estava em ótimas condições. Líquido amniótico estava em grande quantidade, normal, tornado inclusive possível uma versão cefálica externa [virar a criança para a posição de cabeça], e que a idade gestacional calculada pela ecografia atual e pelas anteriores não atestava a gestação prolongada, como dito anteriormente”, comentou a médica.

A obstetra Leila Katz também confirma que o exame estava dentro dos padrões normais. Ela diz ainda  que é mais seguro para uma mulher que teve duas cesáreas ter o terceiro filho de parto normal do que por meio de outra cirurgia. “Se não fosse seguro, eu não teria meu terceiro filho de parto normal após duas cesáreas”, comenta. Ela conta que a possibilidade de ruptura uterina é de 0,5% a 1%. “Outra cesárea pode ocasionar lesão de órgãos, como bexiga e intestino, hemorragia, histerectomia e infecção nas mulheres”, comenta.

A médica Melania Amorim, obstetra e professora da Universidade Federal da Paraíba, concorda. Ela diz que nenhum fator apresentado pela equipe médica do hospital indicava a necessidade de cesárea. Ela diz que a decisão judicial fere o direito de escolha da mulher.

O Cremers (Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul) informou ontem que vai abrir uma sindicância para investigar a conduta da equipe médica, onde será analisado o prontuário médico e haverá o depoimento dos médicos e da paciente. “Mas, tudo leva a crer que a conduta médica foi correta ao indicar a cesárea para essa gestante”, relata o presidente do Cremers, o cirurgião Fernando Matos.

A reportagem pede desde o início da semana uma entrevista com as médicas que atenderam a gestante, mas o hospital se manifesta somente por meio de notas. O hospital diz que entrou na justiça para preservar a saúde da mãe e do bebê. O hospital diz que o pai não pode acompanhar o parto pois estava “exaltado”.

Sobre a ultrassonografia, o hospital afirmou que  não há erro na idade gestacional do último exame pois as semanas foram calculadas com base em ecografias realizadas ainda no primeiro trimestre de gestação. “As ecografias realizadas no final de uma gestação têm por principal objetivo identificar os sinais vitais do bebê e a posição do feto para diagnosticar o parto adequado para gestante”, diz nota enviada pelo hospital.

“A correção dessa indicação médica foi confirmada no parto, devido à presença de mecônio do nenê na cavidade abdominal da mãe, que é um sinal indicativo de sofrimento fetal”, voltou a afirmar o hospital. Mãe e filha tiveram alta ontem e passam bem.

A gestante Adelir com a filha e o marido após cesárea no hospital de Torres (Foto: Erika Carolina/Folhapress)

A gestante Adelir com a filha e o marido após cesárea no hospital de Torres (Foto: Erika Carolina/Folhapress)

CASO É DENUNCIADO

A defensora pública Ana Rita Souza Prata, do núcleo especializado de defesa e direitos das mulheres, diz que o Código Civil estabelece que se há risco de vida, uma intervenção médica, por exemplo, pode ser feita mesmo sem a vontade do paciente. “É o mesmo que ocorre se uma pessoa que é testemunha de Jeová corre risco de morte e precisa de transfusão de sangue.

Nesses casos, quando há risco de vida, é possível interceder”, explica. Ela diz, no entanto, que não há comprovação de que esse era o caso de Adelir já que a ultrassonografia que comprovaria que o bebê estava sentado não foi entregue ao Ministério Público, que foi quem ajuizou a ação. O promotor do caso, Octavio Noronha, diz que se baseou apenas no laudo da médica que atendeu a paciente.

De acordo com a defensora pública, para que seja feito um aborto legal, no caso de um bebê anencéfalo (sem cérebro), por exemplo, é preciso no mínimo opinião de dois médicos distintos.

A Artemis, ONG que defende o direito das mulheres, apresentou nos últimos dias uma série de denúncias sobre o caso para órgãos de direitos humanos e da defesa da mulher, como Secretaria de Direitos Humanos e Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Ministério da Saúde, Comissão de Direitos Humanos da OAB, entre outros.

Ao ser notificada pela Artemis, a assessoria do deputado Jean Wyllys (PSOL- RJ) informou que vai protocolar um pedido de audiência pública sobre violência obstétrica na Comissão de Diretos Humanos e Minoria da Câmara.

 

A estudante Alice Pereira Rocha, 19, pretende ter parto normal em casa de parto (Foto: arquivo pessoal)

A estudante Alice Pereira Rocha, 19, pretende ter parto normal em casa de parto (Foto: arquivo pessoal)

Renascimento do Parto 2 vai retratar violência obstétrica

Por Giovanna Balogh
03/04/14 08:16
Enfermeira faz manobra de Kristelller em gestante durante trabalho de parto (Foto: Reprodução)

Enfermeira faz manobra de Kristeller em gestante durante trabalho de parto (Foto: Reprodução)

Depois de ser visto por mais de 30 mil pessoas e ser o documentário nacional com a segunda maior bilheteria nos cinemas de 2013, o filme o Renascimento do Parto ganhará continuidade. O segundo filme, que começará a ser rodado ainda neste semestre, vai tratar, principalmente, sobre a questão da violência obstétrica e os locais onde o atendimento às gestantes que deram certo no Brasil e fora daqui, como na Inglaterra e na Holanda.

De acordo com o diretor do filme, Eduardo Chauvet, as filmagens começam a ser feitas ainda neste semestre e a expectativa é lançar o filme em março de 2015. Chauvet comenta que o primeiro filme foi feito com recursos próprios e que foi preciso um crowdfounding (financiamento coletivo), para que ele chegasse às telonas. “Agora estamos entrando em vários editais e as portas estão abertas devido ao sucesso de público e crítica do Renascimento do Parto”, comenta.

Ele conta que o segundo filme vem com a proposta de aprofundar assuntos polêmicos, como a violência obstétrica. Conforme mostrou o Maternar, a violência obstétrica engloba uma série de práticas violentas e desrespeitosas de assistência à gestante e ao recém-nascido. O tema tem ganhado cada vez mais força devido ao crescente movimento de humanização do parto.

“Esse será um eixo mais amargo do próximo filme, mas muito necessário e urgente. Vamos denunciar toda a crueldade, frieza e desrespeito institucionalizados. De maneira clara e com flagrantes para que não sobre mais dúvida sobre a questão”, comenta. O filme também pretende mostrar assuntos que não foram tratados no primeiro documentário, como o SUS (Sistema Único da Saúde) que dá certo no atendimento à gestante.

Como todo o assunto é muito amplo, a ideia é fazer uma trilogia que deverá ser lançada em 2016. “Vamos falar no terceiro sobre parto normal após cesáreas, sobre as parteiras tradicionais pelo interior do Brasil, parteiras urbanas, parto domiciliar planejado, a vida das doulas e vamos aprofundar mais sobre a medicina baseada em evidências”, comenta.

Veja o vídeo

Para dar o pontapé inicial no segundo filme, o diretor diz que fará duas apresentações do Renascimento do Parto no dia 7 de abril, às 21h30. As sessões vão acontecer em São Paulo, no espaço Itaú de Cinema da rua Augusta, e em Brasília no cinema do shopping CasaPark. A ideia é que após o filme, seja feito um bate-papo com os presentes para ajudar a trilhar as diretrizes do próximo filme.

“A ideia é sair de lá com uma visão geral do público sobre o primeiro filme e o que esperam e gostariam de ver no segundo. Queremos que as pessoas já se sintam parte da confecção do próximo filme”, diz Chauvet, que estará na apresentação em Brasília.

Em São Paulo, a conversa será mediada por Ana Lúcia Keunecke, da Artemis (ONG que trabalha para erradicar a violência contra a mulher) que é quem fará a pesquisa de conteúdo do segundo filme. “Além de ouvirmos as pessoas com suas sugestões , vamos selecionar uma pessoa que poderá participar da reunião com os produtores e o diretor em meio às discussões do próximo roteiro”, comenta.

FÓRUM VAI DISCUTIR VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Na próxima quarta-feira (9), a partir das 9h, será realizado um fórum na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) onde será discutida a violência obstétrica e outras formas de agressão a que as mulheres estão sujeitas.

O “I Fórum sobre Violência contra a Mulher: Múltiplos Olhares” acontecerá no centro de convenções da Unicamp e reunirá médicos, advogados e  pesquisadores  na área da violência contra a mulher.Também participarão do evento representantes do  governo federal e  do Poder Judiciário.

No fórum, serão exibidas gravações de depoimentos de vítimas de violência obstétrica e também de violência sexual e doméstica. A ideia é  ilustrar os debates com casos reais e aprofundar as discussões.

Mais informações sobre a programação e inscrições podem ser conferidas no site do fórum. A entrada é franca.

Prefeitura de SP vai criar sete centros para o parto normal

Por Giovanna Balogh
01/04/14 14:12

A Prefeitura de São Paulo informou que serão construídos sete centros de parto normal na cidade, sendo seis em hospitais da rede municipal e um na estadual. Diferente da casa de parto de Sapopemba, que é a única da capital mantida pela prefeitura, esses novos espaços vão funcionar dentro de hospitais, mas em alas distintas. Além da casa de Sapopemba, atualmente as parturientes contam também com a Casa Angela, que é mantida por uma ONG na zona sul de SP.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, a ideia desses espaços é permitir que a mulher consiga ter um parto humanizado, além de reduzir as taxas de cesarianas e mortes maternas. Apesar de não dar prazos de quando os centros vão passar a atender, a secretaria diz que cada um desses espaços terá cinco quartos e capacidade de realizar até 80 partos por mês.

Segundo a secretaria, os centros de parto são voltados para gestantes de baixo risco e são diferentes das casas de parto justamente por ficarem em áreas anexas de hospitais.  No caso de uma intercorrência durante o trabalho de parto, explica a pasta, a parturiente poderá ser removida para o hospital e ir para o centro cirúrgico caso haja necessidade de uma cesárea, por exemplo.

Assim como nas casas de parto, nesses centros de parto a mulher terá o bebê acompanhada de obstetriz, de enfermeiras obstétrica e de doulas – mulheres que dão assistência antes, durante e após o parto para a gestante. Os acompanhantes na hora do parto também serão escolhidos pela gestante que deverá ter alta no dia seguinte ao parto caso ela e o bebê passem bem.

O projeto faz parte da Rede Cegonha, uma iniciativa do Ministério da Saúde que tem o objetivo de assegurar o atendimento à gestante pelo SUS (Sistema Único de Saúde) com consultas de pré-natal, atenção humanizada no parto e pós-parto e também atendimento do bebê até os 2 anos de idade.

A secretaria diz que a definição dos locais que receberão os centros foi feita com base em avaliações e diagnósticos das equipes técnicas que montam o plano de ação de implantação da Rede Cegonha, que conta com recursos da União, da prefeitura e do governo estadual. O recurso total para a cidade de São Paulo será de R$ 82,9 millhões para todo o programa, mas não é especificado quanto sairá cada centro já que os recursos serão liberados aos poucos.

No final do ano passado, o prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou um projeto de lei da vereadora Juliana Cardoso (PT) que prevê a criança desses centros de parto normal. O projeto ainda aguarda a regulamentação do prefeito, que será feita com base em audiências publicas. A  ideia, de acordo com a lei, é que sejam espaços que permitam a mulher ter o bebê de forma mais natural possível.

ONDE VÃO SER CONSTRUÍDOS OS CENTROS DE PARTO

Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Correa Netto

Hospital Municipal  Waldomiro de Paula

Hospital Municipal Prof. Mario Degni

Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria

Hospital Municipal M’ Boi Mirim

Hospital Amparo Maternal

Santa Casa de São Paulo

Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros

Projeto doa peruca para crianças com câncer; veja reação de menina

Por Giovanna Balogh
28/03/14 09:32

Já pensou em cortar as suas longas madeixas e doar? E o melhor: beneficiar uma criança com câncer. Foi por meio de uma doação que Ana Carolina, 5, ganhou uma peruca em fevereiro passado. A menina teve câncer de ovário que foi descoberto em maio do ano passado e, após a cirurgia para a retirada do ovário esquerdo, precisou fazer sessões de quimioterapia.  Segundo a mãe de Ana Carolina, a estudante Tatiana de Melo Berra, 35, o cabelo todo da filha caiu em um período de apenas 15 dias.

Mesmo sendo muito vaidosa, a menina não se abalou ao ficar careca e aprendeu a não se importar com os comentários dos outros.“Ensinei a ela que o cabelo podemos ter de várias formas, longo ou curto. É  como trocar a roupa”, diz Tatiana. Ana Carolina, nos dias mais quentes, dispensava a peruca e o lenço e saía para passear sem qualquer encanação.

A oportunidade de ganhar uma peruca para alegar a menina só foi possível por meio do Cabelegria, um movimento que começou em novembro passado na internet e que cada dia tem ganhado mais força. O trabalho de arrecadar doações de cabelos e confeccionar as perucas  é totalmente voluntário.

Tatiana conheceu o Cabelegria por meio de uma prima e de uma amiga que doaram o cabelo. “Entrei em contato com eles e não contei para a minha filha da peruca. Ela ficou maravilhada com o presente”, comenta a mãe que filmou a reação da filha. Hoje, o cabelo da menina já começou a crescer após encerrar as sessões de quimioterapia no final de outubro.

Veja o vídeo

A ideia do Cabelegria surgiu quando uma amiga da designer Mariana Robrahn, 24, cortou o próprio cabelo para doar para uma paciente de um hospital de São Paulo. Mariana e a amiga Mylene Duarte, 23, decidiram criar uma página no Facebook que hoje tem mais de 120 mil curtidas. De acordo com Mariana, já foram feitas mais de mil doações e quase dez perucas já foram doadas. “Nós juntamos os cabelos até termos quantidade suficiente para uma peruca”, comenta Mariana.

Segundo ela, é necessário cerca de 180 gramas de cabelo para uma única peruca. Após conseguir a quantidade necessária, o material é encaminhado para um salão de beleza na Lapa (zona oeste de SP) que confecciona as perucas.

Não importa se o cabelo tem química ou se é liso ou crespo. Para ser um doador, basta que o cabelo tenha no mínimo um palmo de comprimento (10 centímetros). As doações são retiradas pelos idealizadores da Cabelegria em São Paulo ou podem ser enviadas pelos Correios para eles (veja como abaixo).

Eduarda de Cássia, 9, também foi uma das presenteadas com uma peruca em janeiro.  “Por incrível que pareça, a peruca que ela ganhou veio com o cabelo muito parecido com o meu”, comenta a mãe da menina, Maria Estela Vieira de Matos Dias, 37.  Eduarda teve um tumor no rim e ainda passa por  sessões de quimioterapia e de radioterapia. Por conta do calor, a menina utiliza as novas madeixas apenas quando brinca de dançar ou de se maquiar.

Já a estudante Jéssica Orlandin, 21, decidiu cortar as longas madeixas para doar para o Cabelegria. Ela conta que já tinha feito outras duas doações, em 2006 e 2008, para uma ONG que já não existe mais.

Jéssica descobriu em dezembro do ano passado um linfoma e atualmente passa por sessões de quimioterapia de 15 em 15 dias. “Uma das primeiras coisas que passa pela cabeça de todo mundo quando se fala em quimioterapia é a perda de cabelos e comigo não foi diferente. Fui alertada que havia grande risco de eu ficar careca, e logo depois da primeira quimio, meu cabelo começou a cair mais do que o normal”, comenta.

Jéssica, que estuda veterinária em uma faculdade no Rio Grande do Sul, faz agora apenas aulas à distância para seguir com o tratamento em São Paulo. “Passei por todo o estresse dos exames, das biópsias de medula óssea, da colocação do cateter, da quimio e dos efeitos delas, só podia agradecer por já ser madura o suficiente para entender o que estava acontecendo. Agora, imagina uma criança passar pelo mesmo que estou passando”, comenta.

Ela conta que como sabia que perderia os cabelos, decidiu que queria fazer uma criança feliz. Jéssica diz que conheceu o Cabelegria pela internet. “Sei que meu cabelo agora vai ter um destino feliz, e desejo que dê muita sorte e força para a criança que receber a peruquinha”, comenta Jéssica que vai assumir a carequinha assim que não tiver mais cabelo.

A estudante Jéssica está em tratamento para um linfoma e também fez a doação (Foto: arquivo pessoal)

A estudante Jéssica está em tratamento para um linfoma e também fez a doação (Foto: arquivo pessoal)

COMO DOAR:

- Ter comprimento de no mínimo um palmo (10cm)
- Aceitamos qualquer tipo de cabelo mesmo que tenha química.
- Amarre o cabelo antes de cortar, para facilitar o manuseio.
- Coloque, o cabelo seco, em um saco plástico.
- Enviar o cabelo já seco para o endereço abaixo

Avenida Parada Pinto, 3420, bloco 06 – apto 33
Vila Nova Cachoeirinha CEP 02611-001
São Paulo – SP

Pais demoram a perceber que filhos estão acima do peso, diz especialista

Por FABIANA FUTEMA
25/03/14 07:33

Os pais demoram a perceber que seus filhos estão obesos ou com sobrepeso. A endocrinologista infantil Karina Frade diz que a maioria se preocupa mais com que o filho deixa de comer do que com seu eventual excesso de peso.

“A maioria chega dizendo: ‘esse menino não come nada, deve estar com anemia. Aí a gente faz o cálculo de massa corporal e descobre que a criança já está com sobrepeso” diz ela.

O cálculo de massa corporal infantil não é o mesmo dos adultos. (Achei que não valia a pena colocar aqui a fórmula para os pais não saírem ensandecidos por aí fazendo contas. Na dúvida, fale com seu pediatra).

Karina diz que quanto antes os pais diagnosticarem e tratarem a obesidade ou sobrepeso da criança, melhor será.

O diagnóstico inclui exames clínicos e laboratoriais que vão investigar se a criança tem alterações hormonais, por exemplo, que interferem no ganho de peso.

Se os exames não indicarem nenhum desvio, Karina diz que é grande a chance do ganho de peso ter causas familiares. “Está comprovado que se um dos pais é obeso, a criança tem 50% de chance de ser obesa. Se os dois forem obesos, esse risco sobe para 80%.”

Outra causa, segundo ela, é a dieta alimentar da criança. “Às vezes a mãe diz que o filho não come nada. Mas o pouco que come é altamente calórico e provoca o ganho de peso.”

Segundo Karina, o tratamento inclui mudança de hábitos físicos e alimentares. “Quanto antes começar, melhor será. Criança aprende muito rápido. Deve ser estimulada a ter uma alimentação balanceada e a fazer exercícios.”

Pesquisa divulgada neste ano pelo “New England Journal of Medicine” com 7.000 crianças dos EUA revelou que um terço das crianças que estavam acima do peso no jardim da infância continuavam obesas quando chegavam à oitava série. Uma das conclusão dos autores do estudo era que as políticas públicas de combate à obesidade precisam começar mais cedo.

Dificuldade

Levantamento de 2012 da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostrou que 40% das crianças e adolescentes abandonaram o tratamento contra a obesidade antes da sua conclusão no ambulatório de nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Das 51 crianças e adolescentes que passaram por tratamento no ambulatório, 20 interromperam o tratamento.

Nas crianças e jovens que terminaram o tratamento, 40% obtiveram redução nos fatores de risco. Outras 40% mantiveram os fatores e 20% chegaram a ter aumento dos fatores de risco.

Pais que dizem que os filhos não comem nada precisam ver se a qualidade do pouco que eles comem (Foto: Shutterstock)

Pais que dizem que os filhos não comem nada precisam ver se a qualidade do pouco que eles comem (Foto: Shutterstock)

 

Chegada do outono acende alerta para doenças respiratórias; veja dicas de especialista

Por FABIANA FUTEMA
24/03/14 07:26
Médico recomenda o uso de soro fisiológico para limpar as narinas (Foto: Shutterstock)

Médico recomenda o uso de soro fisiológico para limpar as narinas (Foto: Shutterstock)

Espera-se que no outono os dias sejam mais frios e secos do que aqueles que tivemos no verão. Confirmada a previsão, será a combinação ideal para as doenças respiratórias que aterrorizam pais de crianças pequenas e enchem os prontos-socorros nos fins de semana.

“Não sabemos ainda como vai ser esse outono, se vai ser mais chuvoso. Normalmente é mais seco e aí a tendência é termos mais casos de doenças infecciosas e alérgicas que atacam as vias respiratórias”, diz o médico João Ferreira de Mello Júnior, chefe do grupo de Alergia e Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP).

Segundo ele, períodos de tempo seco e frio favorecem o aparecimento dessas doenças porque o ar fica mais poluído e há mais aglomeração de gente. “As pessoas ficam em ambientes fechados.”

Para prevenir doenças respiratórias e alérgicas, Mello diz que o ideal é se hidratar bem. Ou seja, beber muita água.

Outro conselho é fazer uma boa higiene interna do nariz por meio do uso de soro fisiológico. Mello diz que o soro deve estar na temperatura ambiente. “Nunca se deve pingar soro gelado nas narinas, pois diminui a capacidade interna de defesa do organismo.”

Segundo ele, essas dicas servem para qualquer pessoa, de qualquer idade, para qualquer época do ano.

Roupa lavada e casa limpa

Ele recomenda que as roupas de inverno e cobertores sejam retirados do armário agora e comecem a ser lavados. “Se não, um dia esfria e a pessoa pega uma blusa guardada por muito tempo, contaminada. Isso só vai piorar o quadro das pessoas alérgicas”

Por última, aqui vai uma dica minha (não sou especialista, mas pediatras já me disseram isso antes): mantenha a casa limpa e arejada. O excesso de pó piora os quadros alérgicos, como já disse o médico aí em cima.

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