Publicidade

Maternar

Dilemas maternos e a vida além das fraldas

Perfil Fabiana Futema, mãe de Kazuo, e Giovanna Balogh, mãe de Bento e Vicente

Perfil completo

Mãe diz ter sido constrangida ao amamentar em espaço família de shopping  

Por Giovanna Balogh
27/02/15 10:45
Fernanda amamenta a filha Helena (Foto: Arquivo pessoal)

Fernanda amamenta a filha Helena (Foto: Arquivo pessoal)

A decoradora Fernanda Seára, 35, diz ter sido constrangida ao amamentar a filha Helena, 11 meses, no espaço família – lugar voltado para alimentar e  trocar fraldas de bebês  –  de um shopping em Blumenau, em Santa Catarina.

A mãe conta que entrou no espaço na tarde do domingo (22) com o marido Marcelo e a filha. “Fui amamenta-la na salinha de amamentação. Só estávamos nós três lá e o meu marido sentou na minha frente no pufe que fica em frente à poltrona para as mães colocarem os pés”, comenta Fernanda.

De acordo com ela, pouco tempo depois chegaram outras duas mulheres com seus bebês na sala de amamentação. As duas mães, ainda segundo Fernanda, começaram a servir mamadeiras para seus bebês normalmente.

“Logo depois entrou uma funcionária do shopping e mandou  o Marcelo se retirar e esperar do lado de fora do espaço família. Sem muita reação, ele saiu. Mas, a minha filha começou a gritar desesperada pelo pai e não quis mais mamar. Tive que sair e ir amamenta-la em uma cafeteria na praça de alimentação”, comenta.

Fernanda e o marido  contam que ficaram muito constrangidos com a situação pois consideram que o espaço é para a família e não somente para as mães. “E qual constrangimento teriam as outras mães da presença dele se estavam dando mamadeiras e não amamentando?”, questiona.  Fernanda diz que não viu as outras mulheres reclamarem da presença do seu marido no espaço.

A mãe de Helena comenta que na porta da sala de amamentação tem a figura de um pai, de uma mãe e um bebê no colo. “Fico pensando se fosse um pai dando mamadeira para seu filho, ou um casal homoafetivo. Iam pedir para eles saírem também? Eles não teriam direito de alimentar seu bebê lá?”, questiona.

O casal registrou uma reclamação formal no Shopping Park Europeu e, segundo a mãe, até agora não teve um retorno do centro comercial sobre o ocorrido. Em Santa Catarina vigora uma lei desde o ano passado que garante o direito às mães de amamentarem seus bebês em qualquer estabelecimento.

A lei pune com multa estabelecimentos comerciais que restrinjam ou censurem mães de amamentar em público em todo o Estado. De acordo com o texto, após advertência, comerciantes serão multados em R$ 2.000 por ocorrência. Em caso de reincidência, a multa será dobrada até atingir o valor de R$ 40 mil.

O caso foi divulgado nas redes sociais e mulheres planejam fazer um mamaço (amamentação coletiva) na porta do shopping no próximo domingo (1) à tarde.

OUTRO LADO

Procurado pelo Maternar, o shopping informou, por meio de uma nota, que o espaço família é um local disponível para o bem-estar e o conforto de bebês e seus familiares. “No caso citado, o pai aguardava a mãe que estava amamentando, quando outras duas mães foram ao local alimentar seus filhos. Como elas não se sentiram confortáveis com a situação, solicitaram para a atendente que o pai aguardasse do lado de fora. No momento seguinte, o casal não concordou com o pedido, o que gerou um mal entendido entre os clientes”, diz a nota.

O shopping diz que para “amenizar a situação e priorizar o bem-estar dos bebês o Shopping Park Europeu interviu, sem a intenção de proibir a entrada de qualquer familiar no espaço, apenas usando o bom senso para que todas as mães pudessem cuidar de seus filhos da melhor maneira”, relata.

 

 

CineMaterna encerra 2014 com crescimento de 20% em sessões exibidas

Por FABIANA FUTEMA
27/02/15 07:30
Aproveite a licença-maternidade para ir a uma sessão de cinema exclusiva para mamães (Crédito: Divulgação/Cinematerna)

Aproveite a licença-maternidade para ir a uma sessão de cinema exclusiva para mamães (Crédito: Divulgação/Cinematerna)

Você acabou de virar mãe e não sabe muito bem como ficar em dia com a agenda cultural? Ou tem medo de sair de casa com o bebê? Para essas mães as sessões do CineMaterna podem ser um convite à retomada do convívio social.

Funciona assim: salas de cinema de shoppings exibem sessões em horários específicos para mães/pais acompanhados de seus bebês. Para comodidade dos pais, essas salas costumam ter trocador e produtos de higiene infantil. Tapetes emborrachados também são colocados no chão para as crianças ficarem mais à vontade.

Outra curiosidade: muitos pais ‘estacionam’ os carrinhos na entrada da sala. Já outros assistem ao filme com o filho no colo o tempo todo. Depende de cada um.

E ao final algumas mães costumam se reunir em cafeterias próximas da sala de cinema para debater  assuntos maternos (e o que mais?)

Em 2014, a ONG CineMaterna organizou 70 sessões de cinema desse tipo, um avanço de 20% em relação ao ano anterior. Estiveram presentes nas sessões 32 mil adultos e 19 mil bebês de 35 cidades de 14 Estados do país.

“O crescimento ano a ano mostra que nossa iniciativa vai muito além de uma reunião de mães com seus bebês no cinema”, diz Irene Nagashima, co-idealizadora do CineMaterna. “Somos uma organização que inspira mães a conhecer outras mulheres que estão no mesmo momento de vida. A troca, o carinho e o acolhimento vivenciados no CineMaterna torna a experiência muito mais que um simples programa de lazer.”

A ONG aconselha que participem das sessões pais de crianças de até 1,5 ano. Ninguém vai ficar pedindo a certidão da criança para checar se ela é muito “velha”. É que depois dessa idade, elas têm menos paciência para acompanhar os pais nessas sessões de cinema.

Vale lembrar que os filmes exibidos nas sessões do CineMaterna são voltados para o público adulto. Ou seja, não espere por produções infantis. O objetivo é distrair as mães/pais.

Manuela D’Ávila anuncia gravidez em rede social

Por FABIANA FUTEMA
26/02/15 20:20
Manuela posta foto ao lado do marido e enteado e anuncia gravidez (Crédito: Reprodução/Facebook)

Manuela posta foto ao lado do marido e enteado e anuncia gravidez (Crédito: Reprodução/Facebook)

A deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB), 33, anunciou que está grávida em sua página no Facebook. “Decidimos celebrar esse amor com a vinda de um bebezinho, que realmente deixou tudo ainda mais forte e nossa família ainda mais alegre. Seremos 4. Nosso bebê terá o melhor pai, o melhor irmão do mundo, uma família maravilhosa”, escreveu.

Na foto, Manuela aparece ao lado do marido, o músico Duca Leindecker, e do seu enteado, a quem ela também faz elogios na postagem. Depois, conheci o menino mais doce do mundo, meu enteado, que me faz ter vontade de ser uma pessoa melhor a cada dia.”

A reportagem enviou mensagem para Manuela para comentar a gravidez, mas não obteve retorno.

Formada em jornalismo, Manuela foi a deputada federal mais votada no Rio Grande do Sul em 2006. Tinha feito a estreia na política pouco antes, como vereadora.

SP terá feira de trocas de roupinhas de bebês e crianças

Por Giovanna Balogh
26/02/15 08:27
Evento quer reunir pais para trocar roupas em bom estado (Foto:: Divulgação)

Evento quer reunir pais para trocar roupas em bom estado (Foto:: Divulgação)

Que bebês e crianças perdem roupas muito rápido não é novidade para ninguém. Que mães ganham ou compram um monte de roupas e que os filhos quase não usam também.

Atualmente existem grupos nas  redes sociais onde muitos pais fazem troca ou venda por preço de ‘desapego’ de roupas, sapatos, brinquedos e outros itens de bebês, como carrinhos, cadeirinhas e berços.  Os preços cobrados normalmente são bem mais baratos do que um novo, afinal, a roupa ou o objeto já é usado.

Pensando em fazer uma troca de roupas, mas sem colocar a mão no bolso, a Casa de Viver –   um espaço na Vila Mariana (zona sul de SP), que foi criado recentemente para co-working familiar – organiza para o próximo sábado (28), a partir das 10h, a primeira edição do “Roupa Livre” para bebês e crianças.

A ideia é simples: os pais fazem a inscrição pela internet, separam as peças e levam no dia do evento. Lá, será possível fazer trocas de roupas sem gastar nada, nos mesmos moldes que já acontece nas feiras de brinquedos. As roupas devem estar em bom estado de conservação e limpas.

Os organizadores pedem que os participantes levem, no máximo, uma mala de mão com as roupas. Os pais vão poder trocar e, no final, se quiserem poderão deixar algumas peças no local para doação. Uma das organizadoras, Mariana Pellicciari, explica que os pais se organizam de uma forma bem livre.

“Intermediamos o mínimo possível e deixamos as pessoas negociar suas próprias roupas. Só pedimos que separem em pilhas de peças que saem de casa para não voltar, ou seja, a pessoa pode deixar na arara para qualquer um pegar”, explica Mariana. Os participantes também fazem pilhas de peças para trocas e para venda, sempre com preço de ‘desapego’. “Mesmo que não haja troca direta entre os envolvidos, existe a chance das pessoas conseguirem levar peças novas pra casa”, diz.

No evento, as crianças e bebês também são bem-vindos e podem levar brinquedos para trocar com outras crianças. Além do encontro de trocas, haverá uma oficina onde os pais e os pequenos vão aprender a fazer brinquedos a partir de retalhos e ainda transformar camisetas usadas.  A Casa de Viver pede que os pais façam uma inscrição pela internet e contribuam no dia do evento com R$ 10.

Mãe luta para o filho com deficiência não ser 'invisível'

Por Giovanna Balogh
26/02/15 07:05
Mari com o filho Leo, 8, no dia do seu aniversário (Foto: Arquivo pessoal)

Mari com o filho Leo, 8, no dia do seu aniversário (Foto: Arquivo pessoal)

Mãe é um ser que  defende seu filho com unhas e dentes, principalmente, se vê seu pequeno sofrer qualquer tipo de preconceito ou constrangimento. Mas, e quando o seu filho se torna ‘invisível’ para os outros? É dessa maneira que se sentem mães de crianças com deficiência que são excluídas ao não poder, por exemplo, frequentar uma escola regular ou quando recebem olhares tortos quando estão com suas crias.

Os preconceitos vem das situações mais corriqueiras, como uma ida ao parquinho ou a um restaurante. A fotógrafa Mari Hart, 36, não consegue esquecer o dia que o filho Leo, que tem paralisia cerebral, enfrentou seu primeiro constrangimento, quando tinha apenas quatro anos. “Era uma festinha infantil e estávamos sentados em uma roda com outras crianças fazendo as atividades propostas. No final, todas ganharam um brinde. Menos ele. O funcionário pulou ele como se nós não estivéssemos ali”, comenta Mari, que é mãe de Pedro, gêmeo de Leo e de Stella, 15.

Mari conta que foi atrás do funcionário alertando que ele “esqueceu do seu filho”. “Ele foi pegar outro brinquedo diferente para dar para ele, um bem porcaria que parecia estar de canto sobrando. Como dói até hoje de lembrar”, conta.

“A quantidade de obstáculos a serem ultrapassados, para exercermos o simples direito de ir e vir, é imensa e me dou ao direito de me cansar. Estou exausta de lutar pelo básico. E ao mesmo tempo, cada vez mais aumenta meu desejo de viver em um lugar bem longe daqui, onde possamos ser respeitados, vistos como um ser humano comum. Não quero tapete vermelho. Quero igualdade. Não acho justo enclausurar cada vez mais meu filho, criá-lo dentro de uma bolha pela falta de tato de uma sociedade inteira para lidar com o que lhe é diferente”, relata.

Mas, os preconceitos e situações constrangedoras não param por aí. No dia de seu aniversário, no dia 17 de fevereiro, Mari foi comemorar com os filhos e os amigos em uma pizzaria de fast-food. “O garçom distribuiu os pratos e deu para todos, menos para ele. Falei, ‘está faltando um prato e olhamos para o Leo’. Outro garçom começou depois a servir as pizzas e pulou o Leo”, lamenta. “Não sei se ele reparou, mas o Leo não é uma coisa. É uma criança que sente fome, sede”.

A pizzaria ainda dá como cortesia uma pizza doce no caso de aniversariantes. Segundo Mari, a pizza doce pequena é dada para quatro pessoas e, de cinco a seis pessoas, é servida a média. “Pedi para o garçom e ele falou ‘quatro pessoas, você tem direito a uma pequena’. Estávamos em cinco pessoas porque o Leo não contaria”. Ao ser questionado, o garçom foi checar com o gerente “se podia” servir o tamanho referente a cinco pessoas.

Depois de muito argumentar, eles saíram com a pizza média do lugar. “Nessas horas fico com ‘sanguenozóio’. Nem queria a pizza doce, minha vontade era jogar ela no lixo”, relata.

Leo, comenta a mãe,  tem parte do cognitivo preservado, mas os pais e os médicos não sabem o quanto. “Mas essa é a parte que mais acredito e invisto nele e as respostas são fantásticas. Sinceramente acho que nesses casos ele não entende porque é tratado diferente. Na verdade, prefiro acreditar nisso porque assim ele sofre menos”.

Mari confessa que cada vez sai menos com o seu filho pois as opções de lazer são restritas. Infelizmente, relata Mari, não é mérito daquela pizzaria, mas de um problema geral da sociedade em lidar com o ‘diferente’. Ela faz um apelo para que os donos de restaurantes e estabelecimentos que lidam com o púbico treinem seus funcionários.

“Deficientes saem de casa,  jantam com a família, passeiam no shopping, consomem, se divertem, têm sentimentos, desejos, preferências, são seres humanos como eu e você. Eles existem, não são invisíveis. Não tenham medo! Fingir que eles não existem, não mudará a nada. Eles estão por aí, por toda parte, e muitas vezes privados de lazer em família por comportamentos como estes no mundo lá fora. Por favor, não dificultem mais o que já é muito difícil”, relata.

 

 

A favor do topless, mulheres usam biquíni com 'seios'; veja fotos

Por Giovanna Balogh
25/02/15 14:50

No Brasil, mulher não pode fazer topless nas praias e, quando amamenta, muitas vezes é recriminada por alimentar seu filho em público e deixar os ‘seios à mostra’. Mas, e no Carnaval? Ah, na passarela do samba pode peitos e bumbum de fora e o desfile ser transmitido ao vivo diante de todos.

Não permitir as mulheres irem as praias como os homens não é mérito apenas do Brasil. Duas holandesas foram parar na delegacia ao nadarem sem a parte de cima do biquíni em uma praia de Chicago, nos EUA. Ao saber da história, um casal de namoradas, Robyn e Michelle Lytle, decidiu fazer algo contra o “moralismo sexista” já que o guarda que abordou as estrangeiras estava sem camiseta.

As duas resolveram inovar e protestar de uma forma bem-humorada. Elas criaram uma marca de tops chamada Tata Top, que imita os seios femininos. A ideia é usar a peça como biquíni ou mesmo top para fazer atividades físicas. No exterior, muitas têm usado e publicado suas fotos nas redes sociais com a hasthag #tatatop.

Ao olhar um pouco de longe, dá a nítida impressão de que as mulheres estão seminuas.

As mulheres podem encontrar o ‘par de seios’ em diferentes tonalidades para que seja possível encontrar um que mais se aproxime ao seu tom de pele. As vendas são feitas pela internet.

Segundo informações do site da marca, parte do dinheiro arrecadado com as vendas das peças é passado para organizações sociais, entre elas, aquelas que trabalham com pacientes que tiveram câncer de mama.

Ajude seu filho a atrasar o "relógio interno" para o fim do horário de verão

Por FABIANA FUTEMA
25/02/15 09:22
Crianças podem demorar um pouco mais para se daptar ao horário de verão (Crédito: Fotolia)

Crianças podem demorar um pouco mais para se daptar ao horário de verão (Crédito: Fotolia)

 

Horário de verão terminou no domingo, mas seu filho continua com o fuso antigo? Não se sinta sozinho. É comum que as crianças demorem um pouco mais que os adultos para se adaptarem ao novo horário.

Algumas mães perceberam que seus filhos passaram a dormir mais cedo e, a consequentemente acordar antes. Ou seja, estão seguindo o horário antigo. “Desde domingo a minha acorda às 5h30. Acho q ainda vai uns dias até regular”, diz Andrea Magnanelli, mãe de uma menina de 1 ano e 10 meses.

“A minha de 4 anos também está assim. Acho natural”, afirma Mariella Bortoletto Aleo. “Acho que em uma ou duas semanas tudo se ajeita.”

A sugestão do pediatra e neonatologista Jorge Huberman é tentar atrasar o “relógio” da criança 15 minutos por dia _até completar os 60 minutos do fim do horário de verão.

Essa transição pode levar mais de quatro dias, pois você precisará repetir cada período de atraso de 15 minutos por dois ou três dias até a criança se acostumar com o novo horário de ir para a cama.

A psicóloga Renata Soifer Kraiser, autora do livro “O Sono do Meu Bebê”,  diz que a mudança pode ser de 5 minutos diários. “Aos poucos, a criança vai se adaptando e entrando na nova rotina”.

Segundo Huberman, essa técnica pode ser aplicada também para preparar a criança para viagens internacionais em que haverá diferença de fuso horário em relação ao Brasil.

Mas se o problema da criança é acordar mais cedo, o jeito é tentar convencê-la a ficar 5 minutinhos a mais na cama por dia.

No lado oposto, há pais preocupados com filhos que vão dormir muito tarde. A técnica é a mesma: tentar adiantar 15 minutos por dia a hora de ir para a cama. Outra dica é deixar a casa silenciosa e evitar distrações muito excitantes pouco antes de dormir. Nessa hora, as atividades têm de ser leves e preparar para o sono, como leitura.

ANS quer levar projeto de incentivo ao parto normal para mais 25 hospitais

Por FABIANA FUTEMA
24/02/15 19:46

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) quer levar o projeto de incentivo ao parto normal para mais 25 hospitais do país. O primeiro a aderir ao projeto-piloto foi o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, em outubro de 2014.

Para apresentar a proposta e convidar as entidades a participarem dele, a ANS marcou um encontro para esta quarta-feira (25) no Rio de Janeiro.

Neste encontro, voltado para representantes de hospitais privados e de operadoras de planos de saúde, serão apresentados os detalhes da parceria entre a ANS, o Einstein e a o IHI (Institute for Healthcare Improvement).

Os hospitais que aderirem seguirão o modelo que está começando a ser adotado no Einstein.

Martha Oliveira, diretora substituta da ANS, diz que já mais do que 25 hospitais interessados em participar do projeto. “Talvez tenhamos até de fazer uma seleção.”

O projeto trabalha com três modelos de atendimento da grávida em trabalho de parto: 1) equipe de plantonistas; 2) enfermeiras obstetras e acompanhante; 3) médicos que fizeram o pré-natal da gestante.

Segundo Martha, a ideia é que a gestante possa ser atendida por até quatro médicos durante seu pré-natal. Um desses quatro profissionais ficaria de sobreaviso para fazer seu parto.

Essa seria a forma de manter um médico da confiança da grávida fazendo seu parto, pois há resistência ao atendimento por plantonistas, pois são profissionais que ela não conhece.

Pode ser que o atendimento seja misto também.  “Até que o médico particular chegue à maternidade, é possível que o primeiro atendimento seja feito por um médico de suporte, por enfermeiras ou obstetrizes”, diz Rita Sanchez, coordenadora da maternidade do Einstein.

Segundo ela,  o processo de adequação do parto envolve a estrutura e ampliação da mão-de-obra dos hospitais e maternidades.

A assinatura desse projeto faz parte da série de ações para reduzir a taxa de cesáreas no país, que chega a 84% na rede privada.

 

Projeto do Einstein quer incentivar parto normal sem afastar médico particular

Por FABIANA FUTEMA
23/02/15 16:00
Mulher durante parto normal realizado no hospital Sofia Feldman (Foto: Divulgação)

Mulher durante parto normal realizado no hospital Sofia Feldman (Foto: Divulgação)

Reduzir a taxa de cesáreas e ao mesmo tempo permitir que o parto seja feito por um médico de confiança da grávida. Esses são os princípios do projeto-piloto implantado inicialmente pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e IHI (Institute for Healthcare Improvement).

O objetivo é tentar uma solução diferente das adotadas pelas redes privadas que conseguiram reduzir suas taxas de cesáreas transferindo o parto para os plantonistas do hospital _caso da Unimed de Jabotical, por exemplo.

Segundo a diretora-substituta da ANS, Martha Oliveira, há o entendimento de que as grávidas brasileiras preferem fazer o parto o obstetra particular por uma questão de confiança.

Para atender esse desejo das pacientes da rede privada, o projeto trabalha com três modelos de atendimento da grávida em trabalho de parto: 1) equipe de plantonistas; 2) enfermeiras obstetras e acompanhante; 3) equipe de médicos que atendem a grávida no pré-natal.

Segundo Martha, a ideia é que a gestante possa ser atendida por até quatro médicos durante seu pré-natal. Um desses quatro ficaria de sobreaviso para fazer seu parto.

Rita Sanchez, coordenadora da maternidade do Einstein, diz que a redução das cesáreas também passa por mudanças culturais. “Do lado da mulher tem a questão da conveniência [agendamento da cesárea] e do medo [da dor]. Do médico, tem a dificuldade do trânsito, a agenda do consultório, a disponibilidade.”

Segundo ela, o processo de adequação do parto envolve a estrutura e ampliação da mão-de-obra dos hospitais e maternidades. “Até que o médico particular chegue à maternidade, é possível que o primeiro atendimento seja feito por um médico de suporte, por enfermeiras ou obstetrizes.”

Além de plantonistas para atender intercorrências, Rita afirma que as maternidades precisam ter as chamadas salas PPPs: de pré-parto, parto e pós-parto.

Segundo Rita, o objetivo do projeto é incentivar o parto adequado. “Algumas grávidas podem chegar pedindo um parto normal a qualquer preço. Mas em primeiro lugar está a segurança da mulher e do bebê. É o parto certo no momento certo. E não uma cesárea agendada sem indicação médica e sem entrar em trabalho de parto antes da 39ª semana.”

Além da questão da assistência, o projeto-piloto do Einstein também vai discutir a questão do treinamento e remuneração relacionados ao parto normal. Esse última questão é delicada para os médicos, que se queixam de receberem dos convênios apenas R$ 300 por parto. E no normal, o processo pode se alongar por muitas horas.

No Einstein, o projeto está previsto para ser iniciado até o fim deste mês. Seus resultados poderão ser apresentados em até 18 meses.

EXPANSÃO

O plano da ANS é levar o projeto de incentivo ao parto normal para mais 25 hospitais do país.

Para apresentar a proposta e convidar as entidades a participarem dele, a ANS marcou um encontro quarta-feira (25) no Rio de Janeiro.

Neste encontro, voltado para representantes de hospitais privados e de operadoras de planos de saúde, serão apresentados os detalhes da parceria entre a ANS, o Einstein e a o IHI.

Os hospitais que aderirem seguirão o modelo que está começando a ser adotado no Einstein.

Martha diz que já mais do que 25 hospitais interessados em participar do projeto. “Talvez tenhamos até de fazer uma seleção.”

 

Mãe escreve livro para ajudar outras a lidar com a perda de um filho

Por Giovanna Balogh
23/02/15 08:45
Camila com os filhos Pedro e Joana (Foto: arquivo pessoal)

Camila com os filhos Pedro e Joana (Foto: arquivo pessoal)

Tinha leite no peito, mas não tinha bebê para mamar. Tinha barriga de pós-parto, mas não tinha bebê no colo. Tinha  quarto de bebê pronto, mas não tinha ninguém para dormir ali ou usar o enxoval preparado com todo carinho. Além da imensurável tristeza, esses são alguns dos sentimentos das mães que perdem seus bebês na barriga ou pouco tempo depois do nascimento.

“O mais difícil é a inabilidade total e completa da nossa sociedade em lidar com a perda, com a morte, com as enlutadas, com a dor, com a tristeza, com a solidão coletiva que perpetuamos todos os dias por não sabermos ou mesmo falar com quem perdeu um filho”, comenta a jornalista Camila Goytacaz, que perdeu o seu segundo filho, José, com apenas 11 dias de vida.

Camila comenta que buscou ajuda em grupos virtuais e presenciais de maternidade para ser ouvida por outras mulheres que passaram por isso ou que, como mães, simplesmente entendiam a sua dor. “O tempo ajuda, mas não dá conta de tudo. O que realmente faz diferença é a solidariedade, o apoio sincero, o abraço de coração, as palavras amigas, as lágrimas dos outros, inclusive de desconhecidos, estas é que me ajudaram a chorar a morte do meu filho.”

Quando José ainda estava na barriga, Camila fazia uma espécie de diário falando sobre os seus sentimentos, as expectativas para a sua chegada e que ele já tinha um irmão mais velho, Pedro, que o esperava para brincar.

Camila diz que durante os poucos dias em que seu filho esteve na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) , ela começou a compartilhar os textos na internet. Muitas das mensagens eram escritas quando ela estava ao lado do leito da UTI ou enquanto tirava leite para amamentar o filho. “Nos textos eu colocava toda a emoção que sentia, o medo de perder, a esperança pela melhora dele. A partir daí comecei a ver o impensável retorno positivo disso: mães  me contando como o meu relato reverberou para elas, de alguma forma, na relação com seus filhos. Como se emocionaram e como as minhas palavras sobre o quanto meu filho e seu destino não me pertenciam”, comenta a jornalista.

Capa do livro "Até breve, José", de Camila Goytacaz (Foto: Divulgação)

Livro”Até breve, José”, de Camila Goytacaz (Foto: Divulgação)

Segundo ela, aquela história ‘fora do roteiro’ da maternidade foi a ensinando a lidar com o não planejado e as suas reflexões começaram a fazer sentido para outras mães também. “E logo já não eram apenas mães: eram pais, avós, conhecidos e anônimos se envolvendo e querendo ler e entender sobre a perda e sobre José e sobre esta história que é do José, mas poderia ser do Miguel, da Mariah,  do Arthur, do Gabriel, e de tantas crianças que se foram tão cedo”, diz.

Motivada pela solidariedade de centenas de pessoas, Camila continuou a escrever depois que José morreu. “Acordava, chorava, sentava, escrevia, meditava, chorava, escrevia, dormia, chorava, escrevia. Escrever era minha rotina no luto, assim como chorar”, relata.

Os textos tomaram formato e acabaram virando um livro chamado “Até breve, José”. Camila conta que não tinha certeza em publicá-lo pois escrevia só para colocar para fora o que a sufocava.  Com a ajuda de uma editora e de uma coaching, Camila conseguiu compilar 400 páginas em 110 com os seus melhores textos que viraram uma história de amor, em um pano de fundo ilustrado e suave, para oferecer esperança e ser uma leitura gostosa, apesar do tema. O livro não fala dos detalhes do quadro clínico do sobre José, porque tem o objetivo de refletir sobre a perda e sobre o luto enquanto experiências transformadoras, por meio de um relato leve, poético e sutil.

“As pessoas têm muito medo de falar da morte, de comentar sobre quem morreu ou de assumir que sim, os bebês também morrem, por razões e situações diversas, e isso faz parte da nossa  existência. A  dificuldade em poder falar abertamente sobre isso me  machucava, me colocava em uma condição ainda mais solitária”, comenta Camila, que compara a dor do luto a atravessar um deserto “uma travessia solitária, longa e triste”.

Ainda sofrendo, Camila engravidou novamente menos de três meses após a morte de José. “Engravidei no susto. Ainda estava naquela mistura entre o  puerpério e o luto, no limbo que se encontra por um tempo uma mãe que perde um bebê. Eu tive medo, muito medo. Tive medo do parto,  dos julgamentos, até de não conseguir olhar para esta gestação como ela merecia pois ainda estava aceitando a morte de José. Tive medo de perder de novo, medo de não dar conta”, diz.

Apesar de todas as encanações, um ano e um mês após a partida de José, nasceu Joana.  “Se tem uma coisa que aprendi com José é que é preciso entrega pois,  no final, só nos resta confiar, confiar no corpo, na sabedoria da vida, do universo. Das histórias que acompanho de outras mães, muitas também tiveram outros bebês depois da perda e também reencontraram a paz”, diz.

No dia do nascimento de Joana, Camila diz que não lembrou de José. “Não havia espaço para o José. Era hora da Joana. Mas, depois que ela nasceu, não há um dia em que não nos lembramos dele, com leveza e amor, e que não sentimos saudade. Cada filho é um filho. Não há substituições. Jamais. Cada filho, uma história, cada partida, uma saudade.”

Camila diz que hoje está feliz e olha com gratidão para sua história. Ela considera que a experiência da perda foi engrandecedora. Aos poucos, ela vai conversando com seus filhos Pedro, 6 anos, e Joana, 3 anos, sobre o “irmão-estrela” e os ensina sobre como há beleza na vida, mesmo nas histórias mais tristes.

Veja o vídeo

Ela conta que nestes quatro anos após a perda de José foi conhecendo muitas mães de filhos que partiram ainda bebês ou na gestação. “Era fundamental dar voz à esta história e trazer à tona – ainda que de uma forma leve, sutil e poética – o tema morte de bebês. E era preciso mostrar que. Assim como a minha, estas famílias estão aí vivendo, em que pese toda a inenarrável tristeza que as acometeu e toda a revolta que sentiram, elas estão aí e a vida continua, e ser triste e feliz faz parte da vida. Quero mostrar que falar dos seus filhos que partiram não as ofende, pelo contrário! Queremos honrar a história deles. Queremos homenageá-los. Queremos reconhecê-los. Eles vieram ao mundo, e foram amados. E são nossos filhos, onde quer que estejam! E ignorar isso é muito rude, além de ser dolorido”, desabafa.

Camila decidiu fazer o livro de forma independente, ou seja, sem editoras ou patrocínios. Por isso, optou pelo financiamento coletivo onde as pessoas adquirem um ou mais livros e tem outras compartidas ao ajudar no projeto. O valor arrecadado será utilizado para arcar com os custos da gráfica. Em poucos dias, 70% da meta básica já há havia sido arrecadada, mas ela quer ir bem além disso e imprimir muitos livros. Saiba como adquirir o seu livro.

“Quero mesmo ver chegar às mãos de quem neste momento está sozinha a chorar em um quarto, achando que aquilo só aconteceu com ela. Se eu alcançar esta mãe e somente ela com meu livro, já valeu a pena cada centavo investido até aqui, cada lágrima de tantas que derramei nestes quatro anos, cada minuto das muitas horas na edição, cada dúvida e cada certeza nas escolhas que fiz até agora”.

Capa do livro "Até breve, José" (Foto: divulgação)

Capa do livro “Até breve, José” (Foto: divulgação)

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade