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Dilemas maternos e a vida além das fraldas

Perfil Fabiana Futema, mãe de Kazuo, e Giovanna Balogh, mãe de Bento e Vicente

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Vídeo mostra futuro de criança na era fast-food; veja

Por Giovanna Balogh
21/08/14 08:35

Ainda dá tempo de mudar os hábitos alimentares dos seus filhos para que eles não tenham problemas de saúde no futuro. Com essa mensagem, a entidade norte-americana Children’s Healthcare of Atlanta lançou uma campanha chamada Strong4Life (forte para a vida) onde pretende conscientizar os pais e cuidadores sobre a importância de uma alimentação saudável, de preferência longe de fast-food.

A proposta também é falar sobre como as crianças precisam de mais atividades físicas, ao ar livre, e menos tempo em frente à TV e ao computador.

Um vídeo lançado recentemente pela Strong4Life mostra um adulto obeso sendo socorrido em um hospital após um ataque cardíaco aos 32 anos. O médico cirúrgico pergunta “como isso aconteceu?” e começa uma retrospectiva da vida do paciente deitado no centro cirúrgico.

As imagens sempre mostram uma vida inteira de consumo de comidas nada saudáveis, como hambúrgueres, pizzas e refrigerantes, e nada de atividades físicas, ou seja, uma criança sempre jogando videogame ou assistindo TV. O cenário não difere muito entre a infância, adolescência e a vida adulta.

A primeira batata frita, por exemplo, é dada pela própria mãe quando o bebê ainda está no cadeirão com a desculpa de que é a única coisa que fará ele “ficar quieto”. É isso que queremos para as nossas crianças? Veja o vídeo:

Veja o vídeo

 

Mulheres ganham mapa interativo para denunciar violência obstétrica

Por Giovanna Balogh
19/08/14 10:09
Enfermeira faz manobra de Kristelller em gestante durante trabalho de parto (Foto: Reprodução)

Enfermeira faz manobra de Kristelller em gestante durante trabalho de parto (Foto: Reprodução)

Mulheres que foram vítimas de violência obstétrica têm agora a possibilidade de relatar o tipo de atendimento que tiveram durante o parto em um mapa interativo na internet.

O “Mapa de Abusos cometidos no Parto” foi criado para permitir que a mulher classifique o que sofreu por tópicos como violência verbal, proibição de acompanhante, procedimentos desnecessários na mãe e no bebê, cesárea desnecessária, entre outros itens.

A arquiteta Isabella Rusconi, 42, e o marido dela, Carlos Pedro Sant’Ana, tiveram a iniciativa de criar o espaço após conversar com a obstetriz Ana Cristina Duarte. A decisão foi tomada após ela sofrer violência obstétrica no parto do primeiro filho, em 2005, em um hospital de Portugal. “Eu sofri um primeiro parto extremamente violento e só consegui colocar para fora ao escrever um relato”, diz Isabella, que sofreu uma episiotomia (corte feito entre a vagina e o ânus) que a fez ficar 12 dias de cama.

“O corte provocou uma laceração de terceiro grau. Fiquei um mês sem poder sentar e mais de três meses usando o travesseirinho da humilhação”, relata. Em 2010, Isabella teve um parto domiciliar no Brasil sem qualquer intervenção. “Foi na varanda, em frente a um rio. Foi redentor”, diz a mãe de Sebastião, 9, e Bernardo, 4.

O mapa conta com mais de 200 relatos, sendo que o Estado de São Paulo lidera o número de denúncias.  A arquiteta diz que ideia é que o trabalho cresça agora que a página será divulgada e administrada pela Artemis (entidade de defesa ao direito da mulher).  Os relatos são todos lidos e autorizados.

Além de ser um espaço para as mulheres relatarem o que sofreram, a ideia é ter um panorama dos hospitais do Brasil onde acontecem mais violência obstétrica e onde os direitos das mães e dos bebês não são respeitados.  “São experiências bem íntimas, densas e comoventes”, comenta.

A presidente da Artemis, Raquel Marques, explica que os relatos de violência vão ajudar a argumentar e demonstrar o cotidiano das parturientes nas audiências públicas que a entidade participa. “O mapa também serve de referência para as mulheres, gestores e profissionais de saúde para que visualizem o quanto a violência é grave e generalizada”. Saiba mais sobre o que é violência obstétrica e se você foi vítima.

Pais exaustos procuram ‘encantadoras’ para organizar sono do bebê

Por FABIANA FUTEMA
18/08/14 09:27
A 'encantadora' Lúcia com a pequena Pietra, filha de Michelle (Foto: Arquivo Pessoal)

A ‘encantadora’ Lúcia com a pequena Pietra, filha de Michelle (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem é que paga para outra pessoa ensinar um bebê de poucos meses (ou dias) de vida a aprender a dormir? Resposta: mães e pais exaustos. A privação do sono combinada ao cansaço e à falta de tempo para executar tarefas simples, como tomar banho e almoçar, faz com que muitos se desesperem e se sintam despreparados para o novo ritmo de vida.

E é aí que entra em ação um novo tipo de profissional: a consultora de sono, também apelidada de ‘encantadora de bebês’ –uma referência ao best seller “Segredos de Uma Encantadora de Bebês”, de Tracy Hogg.

A diretora de marketing Michelle Guimarães, 36, já tinha lido o livro antes de procurar por uma ‘encantadora de bebês’. Mas não conseguiu aplicar as regras do livro ao sono da filha Pietra, hoje com 2 anos.

 “Eu moro numa fazenda e não tinha ninguém por perto para me ajudar neste início. Ela tinha dificuldade para dormir, só dormia no colo. Estava tão cansada e desesperada que fui atrás de uma ‘encantadora de bebês”, conta Michelle.

Mas até mesmo aquelas que possuem mãe ou sogra por perto recorrem a esse tipo de consultoria. A gerente comercial Flávia, 38, que pede para manter seu sobrenome em sigilo, contratou uma ‘encantadora de bebês’, mas não contou parar ninguém da família. Esse é um segredo dela e do marido.

“Não quis contar, pois isso poderia magoar as avós, que acham que podem nos ajudar a cuidar do bebê, mas às vezes, mesmo sem querer, acabam atrapalhando e ensinando maus hábitos. E também não queria comparações entre minha filha e uma sobrinha.”

Flávia diz que se sentia sem tempo para cuidar da própria rotina, pois a filha parecia querer ficar no colo o tempo todo. “Eu jantava com ela no colo, tomava café com ela no colo. Ela não queria ficar sozinho no berço, na cadeirinha nem no carrinho.”

A professora Suzana Coelho, 39, também passou pela mesma situação com a filha Júlia, hoje com 4 meses. “Idealizava que seria algo fácil. Mas mesmo sendo uma criança muito amada e desejada, passei por momentos muito estressantes.”

O que mais a afligia era o fato de a filha não sair do peito e não dormir nada durante o dia nem à noite. E a introdução de uma rotina permitiu que a mãe pudesse voltar a organizar o próprio dia. “Sabendo o horário em que ela iria comer e dormir, também pude me organizar e voltar a ter tempo para almoçar com calma, jantar com o marido.”

As três mães buscaram na internet a solução para o problema que lhes tirava a paz naquela fase da maternidade. Elas encontraram o site da enfermeira Lúcia Wanderley, que trabalha com crianças há mais de 30 anos, e fez um curso com a própria Tracy Hogg, a mãe da técnica de encantar bebês.

Segundo as mães, a técnica de Lúcia consiste basicamente em criar uma rotina para os bebês: eles passam a ter horário para acordar, mamar, tirar soneca, passear e dormir à noite. Mas isso o livro também ensina. O que muda então?

Flávia diz que Lúcia parece fazer mágica com os bebês. “Ela transmite uma calma, uma segurança, que os acalma. Parece que eles fazem o que ela quer.”

Para Michelle, o segredo da ‘encantadora’ é saber acalmar os pais. “Ela nos faz ver que nosso filho não é diferente de ninguém, que chorar é normal e que o problema não é com o bebê.”

Suzana revela uma das dicas, que pode ser questionada por alguns pediatras, como a introdução de uma última mamada noturna reforçada. “A minha pediatra até resistiu, mas testei e minha filha passou a dormir melhor depois.”

E o que diz a própria ‘encantadora’? “Converso com o bebê, ensino a eles uma rotina. As crianças passam a ter horário para dormir, brincar, passear e comer”, diz Lúcia.

 Segundo ela, quanto antes o treinamento começar, melhor será para a família. “É possível ensinar a criança a dormir logo nos primeiros dias de vida. Quanto mais tarde, mais difícil, pois o bebê já terá incorporado alguns vícios.”

CUSTO

Não é qualquer mãe que pode bancar uma ‘encantadora de bebês’. Três dias de consultoria podem custar de R$ 2.000 a R$ 5.000, dependendo da profissional, além do gasto com o deslocamento dela até sua casa.

As três mães ouvidas pelo Maternar disseram que o investimento valeu a pena, que fariam de novo e indicariam para outra pessoa.

Lúcia diz que presta esse serviço gratuitamente para mães carentes de sua cidade, no interior do Rio. “Tem mães que não podem pagar a passagem de avião. Se for perto, vou de ônibus. Algumas usam milhas.”

Mariana Zanotto, outra ‘encantadora de bebês’, diz oferecer pacotes para os pais com preços variáveis. O custo depende da quantidade de dias e da exclusividade. No serviço de doula pós-parto, por exemplo, ela fica passa 24 horas por dia ao lado das novas mães.

E COMIGO?

Eu li o livro da ‘encantadora de bebês’ quando fiquei grávida e também não consegui aplicar a técnica ao meu dia-a-dia. Tentei criar rotinas e até afugentei visitas que chegavam no horário que eu queria estipular para o sono e soneca.

Mas não deu certo. Em parte pela minha inexperiência. A qualquer resmungada lá ia eu acudir o bebê. Em cada mamada, mesmo as noturnas, trocava a fralda com medo de a criança ficar assada _livros e coachs ensinam que é normal o bebê ter pequenos despertares e que devemos deixá-los voltarem sozinhos a dormir; e que se a criança estiver de fralda noturna e não tiver feito n° 2, não é necessário trocá-la à noite.

Outro problema foi não conseguir lidar com o choro do filho. Seguidores do método ‘Nana Nenê’ pregam que devemos deixar o bebê no berço sozinho para que ele aprenda a dormir. E que se ele chorar, devemos de tempos em tempos dar uma passadinha no quarto para mostrar que estamos presentes e lembrá-lo que chegou a hora de dormir.

Resultado dessa falta de estratégia? Meu filho tem mais de 2 anos e ainda hoje acorda no meio da madrugada para mamar.

Mas aos poucos comecei a cortar essa mamada da madrugada. E depois de conversar com a Mariana passei a adiantar a hora de levá-lo para cama. Coincidência ou não, parece que ele passou a dormir mais tempo _isso faz menos de uma semana e ainda não posso comemorar os resultados como efetivos.

A meu favor acabo de descobrir um novo livro: “Soluções Para Noites Sem Choro”, que parece se encaixar a mães que falharam com o “Nana Nenê” e “Segredos de Uma Encantadora de Bebês”. Espero ter tempo à noite para lê-lo e contar depois se funcionou.

E sim, já ouvi muita gente chamar mães que reclamam da falta de sono de folgadas. Que se pretendiam ser mães, deveriam antes saber que a tarefa é trabalhosa. Não gostei de ser julgada por isso e acho que cada um sabe da própria necessidade. Bons sonhos!

Psicóloga critica ‘guerra de verdades’ entre mães sobre sono do bebê, parto e amamentação

Por FABIANA FUTEMA
15/08/14 14:54

A psicóloga Renata Soifer Kraiser, autora do livro “O Sono do Meu Bebê”, publicou texto em seu blog criticando a “guerra” entre mães que se acham donas da  verdades sobre o sono do bebê, o parto e a amamentação, por exemplo.

Ela diz que percebeu a existência de um debate agressivo envolvendo esses temas ao ler outros blogs de outras mães. “Existe uma verdadeira guerra de “verdades”, uma competição entre as mães para dizer que tipo de mãe é o certo, que tipo de mãe é mais mãe, mais verdadeira, mais “natural”, mais realizada, mais, mais, mais… Quem amamenta mais, quem se entrega mais, quem vive mais a maternidade, quem está mais próxima do ideal.”

Eu me identifiquei com esse texto, pois recebi inúmeras críticas quando escrevi que gostaria que meu filho tivesse uma noite inteira de sono. Fui chamada de folgada por pessoas que não fazem a menor ideia de como é meu dia a dia. Disseram que se eu quisesse dormir a noite toda, que não tivesse filho. Essas críticas vieram de mães, como eu, mas que não foram compreensivas com pessoas que vivem a maternidade de maneira diferente da delas.

Os ataques são disparados também às mães que não puderam _ou não quiseram amamentar seus filhos. As mulheres que fazem cesárea, então, são crucificadas por grupos defensores do parto natural. Não sou contra o parto natural, mas contra as mulheres que agridem e julgam as que fizeram cesárea _por opção ou necessidade.

“Seu bebê usa chupeta? Precisou de leite artificial? Nasceu de cesárea? Então você não sabe nada. Você não leu, não se informou, não sabe o que é ser feliz, não ofereceu o melhor ao seu filho. E dá-lhe culpa!”, escreveu Renata.

O pior desse ataque gratuito é que ele é capaz de deixar muito mais culpada mães que estão se esforçando para amamentar, mas não conseguem.

“Às vezes a mãe não quer ou não consegue amamentar seu filho, por milhares e diversas questões. [...] E ai? Vamos queimar essas mulheres vivas? Vamos dizer que são umas coitadas, perversas, egoístas, menos mães, ignorantes, desinformadas e que perderam o melhor da festa? De jeito nenhum”, escreve Renata.

Como ela, defendo que todas as mães sejam respeitadas, independentemente de suas escolhas. “A palavra de ordem aqui é respeito. Respeito a escolha daquilo que é possível para cada mulher. [...] Não existe um único caminho para a saúde e felicidade. Isso é uma grande, enorme bobagem.”

Paródia de música de Anitta incentiva a amamentação; veja vídeo

Por Giovanna Balogh
15/08/14 11:02

Alunos fizeram uma paródia da música “Show das Poderosas”, da cantora Anitta,  para incentivar a amamentação.

A nova letra, com direito a coreografia, foi criada por jovens residentes da ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca), no Rio de Janeiro. A primeira apresentação aconteceu no dia 4 de agosto na sala de espera do centro de saúde escola Germano Sinval Faria, no campus da Fiocruz, em Manguinhos.  O evento fazia parte da SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno), realizada na primeira semana do mês.

No vídeo, três alunos com seios postiços, sendo um deles com barriga de grávida falsa, fazem a coreografia. A  música diz que os pais também podem ajudar a mulher a amamentar e que é o leite materno é o  melhor alimento – e mais econômico – para o bebê. O vídeo já foi compartilhado quase 27 mil vezes.

“Nossa intenção foi tornar o tema amamentação de mais fácil acesso à população presente na sala de espera. Fizemos de  uma maneira lúdica e que pudesse ser melhor compreendida através de uma música super popular e palavras do cotidiano desse público alvo”, comenta Bruno Mota, que é nutricionista e residente multiprofissional de saúde da família.

Ele conta que, assim como seus colegas, não esperava tamanha repercussão. “Muitas pessoas de todo país já nos procuraram para utilizar o vídeo em grupos de saúde em maternidades e unidades básicas de saúde”, afirma. Confira a seguir o vídeo.

Veja o vídeo

Após proibição, projeto quer liberar doula em toda rede pública de SP

Por Giovanna Balogh
14/08/14 07:49

Um projeto de lei foi protocolado nesta semana na Câmara de São Paulo para permitir que as parturientes tenham direito à presença de uma doula nas maternidades da rede municipal de saúde.

A medida foi tomada após a casa de parto de Sapopemba (zona leste de SP), restringir o acesso a essas profissionais durante o  parto. Após uma série de manifestações contrárias, a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), que administra o espaço, recuou da decisão, conforme foi noticiado pelo Maternar.

O projeto, de autoria da vereadora Juliana Cardoso (PT), estabelece que a gestante tem direito a um acompanhante de sua escolha, como prevê a lei federal nº 11.108/2005, além da presença da doula. Pelo texto, a doula também têm direito a acompanhar a parturiente nos exames de pré-natal e no pós-parto.

“Esse projeto é mais um passo importante na mudança da atual cultura hospitalar, pois encara o parto como momento especial e rotineiro na vida da mulher”, diz a vereadora. O projeto de lei foi feito com apoio das entidades e ativistas do parto humanizado.

O projeto ressalta que as doulas não fazem nenhum tipo de procedimento médico ou de enfermagem. Elas estão lá para dar suporte físico e emocional à gestante, como oferecer massagem para aliviar as dores e orientar as melhores posições para aliviar as contrações.

Se for aprovado e sancionado pelo prefeito Fernando Haddad  (PT), o projeto prevê punição para os estabelecimentos de saúde que não cumprirem as normas. Em um primeiro momento, seria feita uma advertência aos profissionais de saúde e, em caso de reincidência, o gestor seria afastado e haveria aplicação de penalidades previstas pela Secretaria Municipal da Saúde.

Vereadora Juliana e ativistas do parto normal protocolam projeto de lei (Foto: Divulgação)

Vereadora Juliana (à esq.) e ativistas do parto normal protocolam projeto de lei (Foto: Divulgação)

‘Encantadora’ diz quais são os mitos sobre o sono dos bebês e dá dicas para pais aflitos

Por FABIANA FUTEMA
13/08/14 07:25
Mariana Zanotto diz que os pais não devem atrasar a hora de levar o bebê para o berço (Foto: Reprodução/TV Globo)

Mariana Zanotto diz que os pais não devem atrasar a hora de levar o bebê para o berço (Foto: Reprodução/TV Globo)

O sono dos bebês é um dos principais motivos de preocupação dos pais, principalmente dos novatos. Livros ensinando como adormecê-los e acalmá-los não faltam _a série ‘Segredos de Uma Encantadora de Bebês’ e ‘Nana Nenê’ estão entre os mais vendidos.

Só que aplicar a teoria dos livros à realidade de bebês recém-saídos da maternidade pode ser frustrante para pais com o sono atrasado.

Muitos então passaram a recorrer ao trabalho de treinadoras do sono, apelidadas também de ‘encantadora de bebês’ –numa referência ao best seller escrito por Tracy Hogg-, que ensinam os pequenos a dormir a noite inteira.

Mariana Zanotto Alves é uma delas. Além de orientar os pais sobre o sono dos bebês há dez anos, ela também trabalha como doula (de parto e pós-parto), coach life e nanny (como aquela super nanny da TV).

Segundo ela, a educação do sono do bebê deve começar  a partir do terceiro mês de vida. Antes disso, diz Mariana, os bebês estão na fase de estabilização, ainda se acostumando com a vida fora da barriga.

Nesse período de estabilização, ela recomenda que os bebês sejam amamentados por livre demanda. O treinamento para que passem a mamar de três em três horas começa só a partir do terceiro mês.

“A partir daí, os pais vão aprender a ensinar à criança a diferença entre ser acalmada e ser alimentada”, diz Mariana.

Segundo a  treinadora de sono, uma das coisas que os pais precisam aprender é que o bebê tem uma necessidade fisiológica de sono diferente da deles e que precisa ser respeitada. “Bebês que não suprem essa necessidade ficam superestimulados e irritados. Não adianta querer manter a vida pré-maternidade e pensar que o bebê é que tem que se encaixar à sua vida.”

Uma das dicas de Mariana para ensinar o bebê a dormir a noite toda é nunca atrasar o horário de ir para a cama. Outra é criar um ambiente calmo, escuro, com poucos estímulos na hora de niná-lo. “Um bebê que recebeu 50 visitas da maternidade, chegou em casa e continuou a ser visitado sem parar, já começou a vida superestimulado.”

A coach diz não condenar o uso de objetos de transição para acalmar a criança na hora do sono, como chupetas e paninhos. “Não julgo a tomada de decisão [em relação a esses objetos]. Acredito que a mãe fez aquilo que julgou certo para sua família naquele momento. Quando achar que é hora de tirar, vai tirar.”

Por outro lado, ela critica a associação da comida com a hora do sono. “Se a mãe acha que não tem condições de passar um bom tempo da vida acordando de madrugada para alimentar o filho, então não deve acostumar o filho. Mas se ela não se importa, e há quem não ligue.”

Mariana diz que o processo de treinamento dura três dias, mas a fixação do método leva uma semana. “Alguns pais tentam uma noite e dizem que não deu certo. Precisa tentar mais. Três dias só para treinar.”

Questionada se usava o método da ‘Encantadora de Bebês’ ou o ‘Nana Nenê’, Mariana respondeu: “Não sigo nenhuma teoria. Sigo a criança, sigo a família. É um processo contínuo,e há regressões do aprendizado no meio do caminho.”

Ela diz que uma das motivações do seu trabalho é ajudar mães desesperadas com a nova situação e a falta de sono. “Vi muitas mulheres chorando e sem saber a quem recorrer. As mães estão muito abandonadas em relação a esses ensinamentos.”

NOITE INTEIRA DE SONO

Mas o que significa dormir uma noite inteira para bebês? Depende da idade da criança, segundo Mariana.

Ela diz que existem bebês de dois meses que já conseguem ter de seis a oito horas seguidas de sono. E que os nascidos a termo já são capazes de ter uma noite de 12 horas a partir do sexto mês.

Mas nem todos, mesmo os mais crescidos, dormem por tanto tempo _para desespero das mães. O meu, por exemplo, costuma dormir em média 9 horas por noite. E ele já passou dois 2 anos.

“O recomendado é que as crianças tenham uma noite de 10 a 12 horas de sono até o sétimo ano de vida”, diz Mariana.

Segundo ela, as sonecas diurnas não estão incluídas nessa conta do sono noturno. “As sonecas são necessárias para diminuir a pressão de sono que acaba se formando devido ao grande desenvolvimento neurológico do bebê no 1º ano de vida. Estudos indicam que os hormônios liberados durante a soneca são diferentes daqueles do sono noturno e de igual importância para o desenvolvimento emocional e físico.”

VEJA ABAIXO MITOS E DICAS DE MARIANA SOBRE O SONO DOS BEBÊS

-Mito: Deixar o bebê acordado por mais tempo para ele dormir até mais tarde. “Isso só irrita o bebê, que produz mais hormônio da atenção para ficar acordado e fica mais difícil acalmá-lo depois.”

-Mito: Achar que o bebê tem que seguir desde cedo o ritmo da família e dormir em qualquer horário e lugar.

Mito:  Esperar que o bebê acorde tarde para os pais dormirem mais. “Bebês costumam acordar entre 5h e 7h. O bebê que acorda às 5h, vai acordar nesse horário mesmo que durma às 17h, 22h ou meia-noite. O bebê deve primeiro aprender a dormir a noite toda para depois ser treinado a acordar mais tarde”

Dica: Bebês que acordam às 7h devem ir dormir às 19h. “Como ele vai acordar nesse horário mesmo deitando tarde, é melhor colocá-lo para dormir mais cedo. Assim ele vai sendo treinado para ter uma noite inteira de sono.”

Dica: Se o bebê que costuma acordar às 7h atrasar o horário, o pai deve acordá-lo. “É preciso seguir a rotina dele.”

Dica: O bebê deve tirar sonecas durante o dia (cuja quantidade e duração variam de acordo com a idade).

Dica: As sonecas não devem durar mais de duas horas (contando o tempo que levou para fazê-lo dormir) e não devem ser tiradas depois das 16h. “A soneca é um treinamento para a criança dormir à noite. É um momento para descansar. Crianças que não dormem ficam cansadas.”

Mito:  Sonecas diurnas devem acabar a partir do 3° ano. “As sonecas podem ser mantidas até o 7° ano.”

 CONTATO DA MARIANA

Várias leitoras escreveram perguntando o telefone da Mariana. Indico a página dela no Facebook para contato: https://www.facebook.com/MarianaZanottoAlves?fref=ts

DICAS DE LEITURA

“Os Segredos de Uma Encantadora de Bebês”

AUTOR Tracy Hogg
EDITORA Manole
QUANTO A partir de R$ 38

“Nana, Nenê – Como Resolver os Problemas da Insônia do Seu Filho”

AUTOR Eduard Estivill
EDITORA Martins Fontes
QUANTO A partir de R$ 35

“Nana, Nenê – O Verdadeiro Método Estivill Para Ensinar seu Filho a Dormir Melhor”

AUTOR Eduard Estivill
EDITORA Martins Fontes
QUANTO A partir de R$ 19,90

“Soluções Para Noites Sem Choro”

AUTOR Elizabeth Pantley
EDITORA M. Books
QUANTO A partir de R$ 45,50

Atriz conta experiência de ter parto domiciliar surpresa  

Por Giovanna Balogh
12/08/14 07:58
Parto do segundo filho aconteceu de surpresa no banheiro de casa (Foto: Reprodução/Instagram/_carolinie)

Parto do segundo filho aconteceu de surpresa no banheiro de casa (Foto: Reprodução/Instagram/_carolinie)

A atriz Carolinie Figueiredo, 25, teve o seu filho caçula em casa em um parto domiciliar não planejado. Ela conta que a ideia era que Theo, hoje com cinco meses, nascesse de parto normal em um hospital assim como foi com a irmã, Bruna Luz, de 2 anos. Não deu tempo. O menino – para a realização dos pais –  nasceu no banheiro da casa da atriz, no Rio.

Carolinie conta que pretendia ir até a maternidade, mas que também tinha um desejo de ter o filho em casa, principalmente, depois de não ter gostado da experiência que teve no parto da primeira filha. “Acho que inconscientemente acabei tardando minha ida para o hospital. Em casa pude ter a liberdade real de fazer o que meu corpo pedia. Tirar a roupa, engatinhar, gritar, andar pelo quintal. A intimidade da minha casa, meu cheiro, minhas músicas, incenso e velas também me trouxeram mais confiança e entrega”, conta a atriz que é casada com o ator e cineasta Guga Coelho.

A filha mais velha acompanhou todo o trabalho de parto da mãe e viu o irmão logo que ele nasceu. “Foi muito mágico! Entrei pra tomar um banho porque ia pra maternidade e depois de dois urros e de acocorar [ficar de cócoras] meu bebê nasceu! Foi lindo!”, conta Carolinie, que estava acompanhada do marido, da filha, de uma enfermeira obstétrica e de sua professora de ioga.

Carolinie diz  que no dia do nascimento do filho acordou com contrações e passou o dia com elas bem ritmadas. Mas, o trabalho de parto não engrenou. “A enfermeira foi embora e passei o dia com contrações. Fui para a praia, caminhei, mergulhei, arrumei as malas da maternidade pois ainda não tinha arrumado e no fim da tarde as contrações engrenaram de verdade”, diz Carolinie.

 PRIMEIRO PARTO

Sobre o primeiro parto, a atriz diz que também foi natural pois não tomou anestesia e ficou na banheira para aliviar as contrações até ter oito centímetros de dilatação. “Mas, com o tempo descobri que vários toques e interferências que não eram necessárias foram feitas, e foi a parte que realmente doeu. Também não tive acesso à comida ou água o que me deixou com menos força pra parir. Também não pude escolher uma posição mais confortável, me disseram que deveria ficar sentada numa cadeira apesar do meu corpo pedir movimento, acocoramento. Essa vontade não foi respeitada”, lamenta. No parto humanizado, a mulher pode escolher em quem posição prefere ficar, se prefere ou não se alimentar durante o trabalho de parto e os exames de toque são muito restritos.

Após se informar mais sobre parto normal, ela descobriu que uma manobra que fizeram durante o trabalho de parto e que a machucou poderiam ter sido evitados.  “Foi falta de preparo da equipe para o parto natural porque ela também era desnecessária, bastava que me permitissem levantar da cadeira. Sinto que a falta de uma equipe humanizada atrapalhou meu processo expulsivo. A fala da pediatra que acompanhou o parto também era agressiva, mesmo ao tentar me “motivar”, ela me deixava ainda mais travada e mais distante da liberdade de ouvir meu corpo e saber parir”, lamenta.

Para Carolinie, a questão da violência obstétrica é assustadora pois ela pode ser sutil. “Muitas mulheres sofrem e não sabem. Às vezes, um tratamento mais áspero, menos encorajador nesse momento muda todo o quadro do parto”, comenta a jovem mãe que virou uma ativista em defesa do parto humanizado.

A mãe de Bruna Luz e Theo conta que com a experiência do primeiro parto, o puerpério foi devastador. “Só chorava, tive dificuldade de fundir de imediato com o bebê, e a amamentação demorou pra ser prazerosa. Tinha ajuda do meu marido e da minha mãe mas eu ficava exausta, acho que tive depressão pós-parto e não sabia”, conta.

Já no segundo pós-parto, Carolinie conta que as coisas fluíram naturalmente. “Cuidei do bebê sozinha pois meu marido ficou centrado na mais velha. Estava motivada, com energia, independente e segura de mim como mãe. Minha recuperação foi fantástica”, conta.

ATIVISTA 

Após as experiências dos partos, a atriz virou uma engajadora do parto humanizado. “Os nascimentos são vistos com mais individualidade e respeito ao tempo do bebê e da mãe. A mãe é a protagonista. A sensação foi de ter descoberto um poder muito forte feminino, ancestral, transcendente maravilhoso e uma força absurda que está adormecida em todas nós! Queria que todas as mulheres tivessem a chance de parir assim”, conta.

A pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz, divulgada em maio,  mostrou que as brasileiras são convencidas ao longo da gestação a terem seus filhos por cesárea. O levantamento mostra que 72% das gestantes da rede pública queria parto normal quando engravidaram, mas 52% passaram pela cirurgia. Na rede particular, um terço queria parto normal, mas 89,9% acabaram em cesáreas.

“As mulheres acabam perdendo essa escolha pois são engolidas pelo sistema, informações erradas. Acredito que a luta pelo parto humanizado é uma luta de todas as mulheres pois falamos de autonomia, de poder de escolha, de informação. É um caminho sem volta ser mordida pelo bichinho da humanização. Uma luta linda”, comenta atriz que planeja fazer um curso de doula e de amamentação para tratar os assuntos com mais propriedade no blog que acaba de lançar, o  Canto da Mulher que Canta.

Para ela, é preciso tratar o nascimento com uma forma mais sagrada, ou seja, menos rotineira e cirúrgica. “Todas as amigas que consegui apresentar a humanização cresceram como mulher e ganharam uma segurança nas escolhas da maternidade de maneira absurda. O tal do empoderamento feminino é bonito demais de sentir e todas nós merecemos resgatar essa força, o parto é um caminho”, afirma.

Carolinie diz ainda que algumas mulheres se sentem atingidas com a luta do parto humanizado porque não conhecem a causa. Para ela, esse estereótipo que foi criado de “menos mãe” não deve existir pois ninguém é mais ou menos mãe por via de parto ou se amamentou ou não o filho. “Acredito que maternagem é ter consciência das responsabilidades e do impacto das suas escolhas na vida daquele novo ser, é tentar ser melhor sempre. E cada uma segue avaliando seus caminhos. Essa guerrinha entre mães é um desperdício de energia quando podíamos estar todas lutando por mais casas de parto, ou a humanização do SUS, por uma licença maternidade de nove meses, ou seja, qualquer coisa que fosse de interesse comum”, avalia.

A atriz mostra foto do barrigão durante a segunda gestação (Foto: Reprodução/Instagram/_carolinie)

A atriz mostra foto do barrigão durante a segunda gestação (Foto: Reprodução/Instagram/_carolinie)

 AMAMENTAÇÃO EM LIVRE DEMANDA

Carolinie também não gosta de estereotipar outras mães quando o assunto é amamentação, mamadeiras e chupetas. Ela acha importante a mulher ter informação e buscar ajuda de especialistas caso encontre dificuldades. Com Bruna Luz ela amamentou exclusivamente até o sexto mês de vida e seguiu até pouco tempo depois do primeiro ano.

“O desmame foi natural depois que voltei a trabalhar, mas me arrependo. Acho que podia ter prolongado um pouco mais”, lamenta. Theo também mama exclusivamente e em livre demanda (sempre que ele quer). “Aprendi nesse segundo filho que amamentar em livre demanda é mais que saciar a fome do bebê. É acalentar, é acolher, saciar a necessidade de sucção”, diz.

Ela conta que Theo chupava muito o dedo. “Fui muito pressionada a colocar a chupeta, mas toda vez que via o dedo na boca, dava o peito. Fui percebendo o poder de acamá-lo, de tranquiliza-lo. Agora ele largou totalmente o dedo e me passa muita segurança saber que posso acalmar meu bebe oferecendo o peito, mesmo que não seja fome.”

Carolinie comenta que amamentar não é fácil e que chegou a pensar em desistir de amamentar exclusivamente. Ela conta que chegou a pedir indicação de leite para a pediatra do filho, mas que desistiu ao falar com o marido e outras mulheres em grupos presenciais e virtuais de pós-parto. “Eles me mostraram que eu estava cansada, ou desestimulada. Que faz parte essa crise, os questionamentos. Uma boa conversa ou noite de sono me ajudariam. E ajudaram!”, diz.

Depois de fazer novelas na Globo como ‘Malhação’,  ‘Ti ti ti’ e ‘Sangue Bom’, Carolinie atualmente se dedica aos filhos e ao blog, mas diz que está aberta a convites. Ela comenta que sabe o quanto é difícil o momento de retornar ao trabalho com um bebê em casa.  Ela diz que quando precisa se ausentar, retira o leite materno com uma bombinha para outra pessoa oferecer ao bebê.

Carolinie amamenta o filho Theo (Foto:Reprodução/Instagram/_carolinie)

Carolinie amamenta o filho Theo em livre demanda (Foto:Reprodução/Instagram/_carolinie)

Procuradoria dá aval a presença de médico em parto domiciliar

Por Giovanna Balogh
08/08/14 12:47
Parturiente entra na banheira montada em casa durante trabalho de parto (Foto: José Neto  - Fotografia Criativa)

Parturiente na banheira montada em casa durante trabalho de parto (Foto: José Neto – Fotografia Criativa)

A Procuradoria da República do Rio de Janeiro deu um parecer contra o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) que, em 2012, publicou resoluções para  proibir os partos domiciliares no Estado.

A resposta foi dada após o Coren (Conselho  Regional de Enfermagem) entrar com uma ação civil pública contra a posição da entidade médica. No texto, o Cremerj previa a punição dos médicos que atendessem partos em casa e ainda impedia a entrada de parteiras e doulas nos partos hospitalares. A proposta do Cremerj também estabelecia a obrigação de os profissionais de saúde notificarem ao conselho todos os casos de pacientes encaminhadas a hospitais após complicações em partos domiciliares.

Poucos dias após a divulgação das resoluções e vários protestos em diversas capitais para defender o parto em casa, a Justiça Federal suspendeu em caráter liminar (provisório) o veto do Cremerj.  Agora, com o parecer do Ministério Público Federal, o mérito do caso será julgado. Ainda não há, no entanto, data para isso ocorrer.

O Coren-RJ pede que a gestante tenha direito à realização a partos humanizados domiciliares, com equipe multidisciplinar de apoio à gestante, incluindo a presença de médico se essa for a vontade da parturiente. O Coren também quer que a gestante tenha direito a presença de doulas, parteiras e obstetrizes no ambiente hospitalar, durante e após a realização do parto.

De acordo com a procuradora Marina Filgueira de Carvalho Fernandes,  não cabe ao Cremerj regulamentar esse tipo de assunto, que seria de competência do CFM (Conselho Federal de Medicina).  O próprio CFM não veta a realização de partos domiciliares, apenas recomenda que “os partos sejam realizados preferencialmente em ambiente hospitalar”. Ou seja, diferente do Cremerj, o CFM não considera infração ética a participação de médicos em partos domiciliares já que a “autonomia do médico e da gestante deve ser respeitada na relação médico-paciente”.

O texto diz ainda  que as resoluções ferem a lei 7498/86 e o decreto federal nº 94.406/87, que asseguram às enfermeiras obstétricas, às parteiras e às obstetrizes o direito de atuar na assistência ao parto, tanto nos hospitais quanto nos centros de parto normal e nas residências.

A procuradora afirma ainda que o Ministério da Saúde tem implementado programas para incentivar os partos normais e humanizados.  “A humanização dos procedimentos afetos ao parto e ao pós-parto pressupõe oferecer um tratamento digno à gestante, sendo-lhe assegura o direito de optar de forma livre (e consciente dos riscos) pelo local de realização de seu parto, pela equipe multidisciplinar que lhe oferecerá a devida assistência, pela presença de um acompanha de sua confiança”, afirma a procuradora.

Procurado, o vice-presidente do Cremerj, Nelson Nahon, diz que a entidade já entrou com recurso para tentar derrubar a liminar. Para ele, o parto domiciliar é arriscado.  “O parto em casa é um retrocesso pois coloca emrisco a vida da mãe e do bebê. Defendemos o parto normal, humanizado, mas em ambiente hospitalar”, afirma Nahon. Segundo o médico, se ocorrer alguma intercorrência, pode não haver tempo para salvar mãe e filho.

PARTO É SEGURO

A enfermeira obstetra Maíra Libertad discorda da opinião do médico do Cremerj. Ela explica que o parto domiciliar é sim seguro, conforme indicam vários estudos da Medicina Baseada em Evidências. “Esses estudos apontam que o risco de morte do bebê é similar quando se compara partos de baixo risco em casa ou no hospital, ou seja, estar no hospital não previne complicações e óbitos neonatais, assim como estar em casa não coloca os bebês sob maior risco”, explica Maíra que trabalha há 12 anos na área de obstetrícia e, nos últimos três anos, atende exclusivamente partos domiciliares.

“Em países como Canadá, Holanda, Inglaterra e outros, a mulher que for considerada de baixo risco durante o pré-natal pode escolher livremente por parir em uma casa de parto, maternidade ou em casa”, comenta. Esses estudos também mostram que no parto domiciliar as mulheres e os bebês têm menos riscos de sofrer intervenções desnecessárias.  Além de uma equipe para acompanhar o parto em casa, as parturientes sempre tem um plano B caso seja necessária uma remoção até um hospital.

Tempo seco aumenta atendimentos em pronto-socorro; crianças estão entre as mais afetadas

Por FABIANA FUTEMA
07/08/14 11:18
Baixa umidade do ar dificulta dispersão de poluentes e favorece aparecimento de doenças respiratórias (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Baixa umidade do ar dificulta dispersão de poluentes e favorece aparecimento de doenças respiratórias (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Nariz obstruído, tosse seca, garganta arranhando e irritação nos olhos. Esses são alguns dos sintomas provocados pelo tempo seco. Em São Paulo, umidade relativa do ar pode beirar os 10% _mesmo percentual verificado em regiões desérticas.

Como consequência, os hospitais costumam registrar um aumento na procura por atendimento nesta época do ano. O Hospital Paulista, por exemplo, já mediu uma alta de 15% no movimento do pronto-socorro em relação a períodos mais úmidos.

Crianças e idosos lideram a lista de atendimentos no pronto-socorro, segundo o hospital.

A otorrinolaringologista Sheila Maria Cardinali Tamiso, do Hospital Paulista, diz que as temperaturas mais baixas do inverno faz com que as pessoas escolham ambientes mais fechados e mal ventilados. E isso favorece uma maior exposição a ácaros, poeira, mofo e demais substâncias que desencadeiem crises alérgicas, gripes, resfriados, sinusite e asma.

Mas o que nós pais podemos fazer para ajudar nossos filhos a enfrentar este período do ano?

Vou repetir algumas dicas de um post publicado em julho.

 -Hidratação: A principal recomendação é manter a criança hidratada. Ou seja, é preciso oferecer muito líquido para ela.

-Soro fisiológico: Os pais também podem lavar a narina da criança com muito soro fisiológico. O produto também pode ser utilizado puro em inalações e nos olhos.

-Higiene: O otorrinolaringologista Sergio Salomão Abdala Carui diz que é importante lavar sempre as mãos.

-Vapor do chuveiro: O vapor do banho também pode servir como inalação, basta deixar a criança no banheiro na hora do banho (essa dica, entretanto, não é uma boa aliada em tempos de escassez de água).

-Cuidado de vó: “ Evitar sair com cabelos molhados no sereno, pés descalços nos pisos frios, ingestão constante de bebidas geladas e agasalhar-se adequadamente”, diz Carui.

-Limpeza da casa: Manter a casa limpa e arejada.  O pó da casa deve ser tirado com pano úmido, não com vassoura (pois isso levanta as partículas de pó).

-Lavagem da roupa: As roupas de inverno guardadas por muito tempo no guarda-roupa devem ser lavadas antes de serem utilizadas

-Umidificador:  Para evitar que o uso excessivo do aparelho facilite a proliferação de ácaros, o ambiente onde ele foi utilizado deve ficar arejado após seu desligamento.

 

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