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Maternar

Dilemas maternos e a vida além das fraldas

Perfil Fabiana Futema, mãe de Kazuo, e Giovanna Balogh, mãe de Bento e Vicente

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Teste indica fragilidade de cadeirinhas infantis de carro

Por FABIANA FUTEMA
25/11/14 15:37

Lugar de criança dentro de carro é na cadeirinha. Mas será que todas as cadeirinhas são seguras e resistem a testes que simulam acidentes?

Teste encomendado pela ProTeste em parceria com a Global NCAP, um programa de avaliação de carros novos, encontrou fragilidade na proteção das cadeirinhas, principalmente na simulação de testes de impacto lateral. Alguns modelos também não obtiveram bom desempenho no teste de colisão frontal.

No entanto, a norma brasileira de certificação de cadeirinhas ainda não prevê exigências mínimas de segurança para casos de impacto lateral, somente frontal.

Foram avaliadas 13 cadeirinhas e nenhuma delas conseguiu a pontuação máxima do programa, que são cinco estrelas. Os modelos mais bem avaliados obtiveram três estrelas.

Num dos testes de colisão frontal, por exemplo, o modelo Galzerano Orion Master quebrou na parte traseira. O teste verificou grande deslocamento do boneco usado nos testes com as cadeiras Baby Style 7000 e Chicco Xpace.

Roberto Guimarães, consultor da Galzerano, disse que não comentaria o resultado do teste, pois não sabe quais parâmetros foram utilizados nem as condições da avaliação. Segundo ele, a Galzerano segue a norma de segurança da ABNT, que é a válida para o mercado brasileiro.

A representante da Chicco informa que também não recebeu os resultados do teste. “Não temos ciência dos procedimentos ou protocolos adotados no mesmo. Com os dados em mãos poderemos submetê-los à nossa área de qualidade em nossa matriz na Itália e, dessa forma, obter uma análise mais criteriosa.”

A Baby Style informou que não comentaria o resultado dos testes, pois “os ensaios realizados não foram efetuados com base na norma brasileira ABNT NBR 14400 sob a qual nossos produtos foram desenvolvidos e devidamente aprovados”.

Nos testes de colisão lateral com os modelos Burigotto Touring 3030 e Lenox Casulo houve forte contato da cabeça do boneco com a porta do carro, por exemplo.

Em nota, a Burigotto informa que “desconhece os critérios utilizados para a avaliação das cadeiras, publicada hoje, e pelas poucas informações disponíveis, conclui que os critérios utilizados são completamente diferentes daqueles usados para a certificação dos produtos”.

Procurada, a Lenox informou que não se pronunciaria porque não teve acesso à avaliação nem metodologia do teste.

A coordenadora da Proteste, Maria Inês Dolci, criticou o atraso do Brasil na regulamentação da segurança das cadeirinhas em casos de impacto lateral.

O Inmetro, responsável pela certificação das cadeirinhas, informa que “estuda outras possibilidades de aprimoramento do produto no Brasi”l. Quanto à inclusão do teste de colisão lateral nas análises para certificar cadeirinhas infantis, trata-se de objeto de estudo do Inmetro que não envolve apenas o Instituto, mas, também, os órgãos regulamentadores de trânsito e a indústria automotiva, parceiros nesta empreitada”, diz em nota.

USAR SEMPRE

Apesar do desempenho nos testes, o técnico da Proteste Dino Lameira, responsável pela avaliação, diz que é sempre é melhor usar qualquer cadeirinha do que nenhuma. “Já está comprovado que o uso da cadeirinha reduz o número de mortes de crianças em acidentes automotivos”, afirma.

Estudo divulgado em 2012 pelo Ministério do Saúde, dois anos após a obrigatoriedade do uso da cadeirinha, mostrou o impacto positivo da nova exigência. O número de mortes de crianças transportadas em carros e camionetes caiu 23% de 2010 para 2011. Procurado nesta terça-feira, o ministério não possuía dados mais atualizados sobre a redução da morte de crianças em acidentes automotivos.

Teste aponta fragilidade na segurança de cadeirinhas (Reprodução)

Teste aponta fragilidade na segurança de cadeirinhas (Reprodução)

 

Como viajar de avião com bebê de menos de dois anos

Por Giovanna Balogh
25/11/14 12:09
Bebê pode ir no colo dos pais, mas nunca pode compartilhar o mesmo cinto (Foto: Fotolia)

Bebê pode ir no colo dos pais, mas nunca pode compartilhar o mesmo cinto (Foto: Fotolia)

O fim de ano está aí e com ele as viagens também. Viajar com os filhos normalmente é uma aventura, com mala reforçada com roupas extras,  fora brinquedos e livrinhos, fraldas e outras quinquilharias. Mas, viajar com bebês de avião pode não ser tão simples.

Apesar de não pagarem passagem, os bebês com menos de dois anos viajam no colo dos pais. O problema é que as empresas não oferecem cinto de segurança para o bebê, ou seja, a criança vai solta no colo da mãe ou do pai. Mas, se no carro eles têm que ir em cadeirinhas apropriadas, por que o mesmo não acontece nos voos?

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, há evidências científicas de que em caso de turbulência, situação em que as companhias aéreas costumam exigir o afivelamento do cinto de segurança de todos os passageiros, crianças conduzidas no colo têm risco muito grande de traumatismo grave e até morte. Os pais nunca devem, no entanto, afivelar a criança com o mesmo cinto que eles.

A advogada Virgínia Maluf, 33, vai viajar com o filho de apenas um ano para o Rio de Janeiro no próximo dia 27 pela Gol e, em dezembro, para os EUA pela TAM.  Ela conta que queria um cinto canguru, que é usado por companhias internacionais, onde o cinto da criança é acoplado ao de seu acompanhante. “Liguei para as duas empresas para reservar um cinto, o chamado cinto canguru, para o meu filho. A resposta que tive era que não havia esse equipamento e que meu filho deveria ir solto no meu colo”, comenta a advogada.

Ela conta que, após a sua insistência, a TAM ofereceu o equipamento. Virgínia diz que na Gol diz que não tem o cinto e que se ela quiser que o filho vá em uma cadeirinha, tem que comprar um assento extra. “É um bebê de 13 quilos que está em risco. Não posso deixar ele viajar solto”, comenta Virgínia, que fez uma reclamação formal na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

“Quem garantirá a segurança do meu filho que viajará no meu colo sem qualquer cinto? Quem garantirá que ele não vai se machucar se o avião tiver uma turbulência?”, questiona.

O departamento de segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças de qualquer idade viagem de avião num assento individual, acomodadas da mesma maneira como nas viagens de automóvel. Assim, bebês menores de um ano e 10 kg devem ir num assento de segurança tipo bebê-conforto, voltado para trás. Já as crianças entre 10 kg e 20 kg devem ir num assento de segurança voltado para a frente enquanto as crianças com mais de 20 kg, em torno de cinco anos, podem usar o cinto de segurança regular da aeronave.

O QUE DIZEM AS EMPRESAS

Procurada pelo Maternar, a Anac informou que crianças com menos de dois anos não

pagam passagem, mas se os pais querem transportá-la no bebê conforto, que é oferecido pela companhia aérea, devem pagar uma passagem para a criança que ocupará um assento normal.

Segundo a Anac, não há cinto de segurança para acompanhante e bebê juntos. Em relação as máscaras de oxigênio, a Anac diz que as aeronaves já contam com máscaras extras por fileira para que sejam usadas pelas crianças de colo. O número de máscaras extras varia de acordo com as  aeronaves.

Procurada, a Gol diz que é seguro o bebê viajar no colo e que atende a legislação vigente. “A Gol oferece uma cadeira (bebê conforto) que deve ser fixada no assento da aeronave. Para solicitar o equipamento, o cliente deve entrar em contato com a Central de Atendimento com até 48h de antecedência e adquirir um outro assento”, diz a empresa.

Já a TAM informa que oferece o cinto infantil em voos domésticos e internacionais sem custo adicional. Segundo a empresa, o equipamento não precisa ser solicitado previamente. Esse cinto pode ser solicitado para as crianças com menos de dois anos de idade, até 25 quilos e/ou até 1,16 cm de altura.

“Para crianças com até 11 kg ainda é possível contratar o serviço de berço, desde que solicitado com o mínimo de 48 horas de antecedência ao voo. Nos voos para a Europa e Estados Unidos, além do cinto, é possível também contratar o serviço de berço, mediante reserva prévia, disponibilidade e o pagamento da taxa correspondente”, diz nota enviada pela TAM. Já se a opção for usar o bebê conforto, também disponibilizado pela empresa, os pais têm que pagar o assento extra.

As duas companhias dizem ainda que os pais ou responsáveis com bebês de colo são acomodados em fileiras de assentos equipadas com máscara de oxigênio extra para uso, se necessário.

Inmetro passa a fiscalizar presença de bisfenol nas mamadeiras

Por FABIANA FUTEMA
24/11/14 12:34

Desde 2012 é proibido vender mamadeiras com bisfenol A (BPA) no Brasil, substância considerada cancerígena. A proibição foi determinada em 2011 pela Anvisa.

Mas a certificação que verificará se as mamadeiras e bicos produzidos e vendidos no Brasil estão mesmo livres de bisfenol saiu no começo do mês em portaria publicada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

De acordo com a portaria, as mamadeiras e bicos produzidos e importados deverão ser livres de BPA dentro de 12 meses, ou seja, a partir de novembro de 2015.

Em nota, a Abrapur (Associação Brasileira de Produtos Infantis) informa que o bisfenol A foi excluído ‘dos produtos há três anos por iniciativa dos próprios fabricantes, portanto antes da normatização’.

Na prática, a portaria define a metodologia de testes a que as mamadeiras e bicos serão submetidos para analisar se realmente estão livres de BPA.

É comum encontrarmos nas lojas de produtos infantis mamadeiras à venda com a informação ‘livre de BPA’. Só que até agora nenhum teste media se essas mamadeiras realmente não possuíam essa substância.

 

Inmetro vai fiscalizar se empresas estão vendendo mamadeiras sem BPA (Crédito: Shutterstock))

Inmetro vai fiscalizar se empresas estão vendendo mamadeiras sem BPA (Crédito: Shutterstock))

Shopping afasta Papai Noel que escondeu rosto de criança em foto

Por FABIANA FUTEMA
21/11/14 11:04

O Shopping Palladium, localizado em Curitiba, acaba de afastar um de seus colaboradores mais ilustres. O prestador de serviços que perdeu o emprego às vésperas do Natal nada mais é que um dos dois Papais Noéis que se revezavam no atendimento das crianças.

O motivo do corte não foi financeiro. É que o bom velhinho está no centro de uma polêmica que agita as redes sociais desde quarta-feira.

Uma mãe postou em seu perfil uma crítica ao shopping e a seu Papai Noel, que cobriu o rosto da filha enquanto os pais tentavam tirar uma fotografia. Por que ele estragou a foto da família? Porque a família não pagou para tirar foto com o Noel.

A queixa foi compartilhada por milhares de pessoas e o shopping já pediu desculpas à cliente.

O shopping informa que os serviços de Papai Noel e fotografia são terceirizados e que o Noel envolvido no episódio já foi afastado.

Procurada pela reportagem, a mãe da menina não foi localizada para comentar o caso.

 

Criança com alergia a leite de vaca não deve tomar tríplice viral, diz Saúde

Por Giovanna Balogh
19/11/14 13:59
Criança com alergia a leite não deve tomar vacina (Foto: Olicio Pelosi/Futura Press/Folhapress)

Criança com alergia a leite não deve tomar vacina (Foto: Olicio Pelosi/Futura Press/Folhapress)

As crianças que são alérgicas a leite de vaca não devem tomar a vacina com a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba). A recomendação foi feita nesta quarta-feira (19) pelo Ministério da Saúde após serem notificadas reações adversas em algumas crianças que têm alergia a leite de vaca.

Segundo o ministério, foram registrados 28 casos, mas todas as crianças afetadas passam bem.

Segundo a Saúde, a medida é preventiva e, a partir de agora, os pais vão ser questionados nos postos de saúde para saber se a criança é ou não alérgica. Se for, a vacina não será dada. 
A campanha contra o sarampo e a paralisia infantil começou no início do mês e vai até o dia 28 de novembro. Os  pais podem aproveitar para atualizar as cadernetas de vacinação dos filhos.

Desde junho deste ano, mais de 4,4 milhões de crianças já foram vacinadas com essa tríplice viral no país e, segundo a pasta, “há garantia da segurança da vacina”. O ministério diz que na bula não há nenhuma contraindicação do seu uso em pessoas que apresentam  alergia ao leite de vaca, mas que preferiu avisar as secretarias de saúde que essas crianças não devem ser vacinadas agora.

O ministério ainda analisa quando e como elas serão imunizadas. A vacinação para criança não alérgica continua normalmente, diz a Saúde.

O ministério diz ainda que o laboratório fornece há anos vacina para vários países do mundo, inclusive o Brasil. O ministério diz ainda que cada lote antes de ser utilizado é testado e as da vacina tríplice viral passaram por análises do Instituto de Qualidade em Saúde (INCQS), sendo aprovadas para uso.

O Ministério da Saúde está analisando, em conjunto com a Organização Pan-America de Saúde (OPAS/OMS), responsável pela aquisição deste produto, os eventos adversos registrados e sua possível associação com a vacina.

São Paulo não tem nenhum caso autóctone (com transmissão direta em território estadual) de sarampo desde 2000. Nesse ano há o registro de sete casos importados da doença no Estado. No Brasil, somente até outubro desse ano, há 514 casos confirmados, com concentração de incidência no Ceará.

Projeto amplia licença paternidade e inclui benefício para casal gay

Por Giovanna Balogh
19/11/14 08:03

A participação dos pais nos cuidados dos filhos, mesmo quando eles são recém-nascidos, têm sido cada vez maior, ou seja, eles não apenas ajudam a mulher, mas criam juntos e dividem as tarefas como trocar fraldas, dar banho, fazer ninar. Mas, com a licença paternidade sendo fixada em apenas cinco dias para a maioria dos trabalhadores, os pais acabam perdendo muito desse contato inicial nos primeiros dias de vida dos pequenos.

Nos últimos tempos, pais têm entrado na Justiça para conseguir ampliar a licença paternidade, inclusive, em caso de adoção. Um projeto de lei que foi apresentado nesta semana na Câmara de São Paulo quer ampliar a licença para os servidores públicos para 30 dias. E mais: dar aos casais homossexuais o direito a mesma licença em caso de adoção que tem qualquer  servidora municipal, ou seja,  180 dias.  Se for aprovada, a lei só vale para funcionários públicos da prefeitura.

A proposta é do vereador  Nabil Bonduki (PT) que acredita que os seis dias dados aos servidores é um tempo muito curto e prejudicial para toda a família. “Uma licença como essa é especialmente negativa para a criança, pois dificulta que o pai crie vínculos com ela e sobrecarrega muito a mãe”, afirma.

Na justificativa do projeto, o vereador diz ainda que a ausência do pai nos primeiros meses é prejudicial também para a mulher que está em período puerperal e que ela também precisa de cuidados e apoio no pós parto. “No puerpério podem haver limitações físicas e carências psíquicas e demanda por compartilhamento dos cuidados imediatos do recém-nato. A mesma lógica cabe à mãe adotante, que se encontra em fase de adaptação à nova realidade familiar e, no caso da presença de um companheiro ou companheira, demanda a presença e a participação deste ou desta no desenvolvimento da criança”, diz  o projeto.

A atual legislação municipal foi proposta em 1989 e destina seis dias de licença aos pais. Segundo ele, os casais homossexuais não tem uma legislação que dê apoio para cuidar da sua família em caso de adoção.

Se for aprovado o projeto, que precisará ter a sanção do prefeito Fernando Haddad (PT), o  vereador acredita que a iniciativa servirá de exemplo para outras cidades. “Aprovar um projeto como esse na maior metrópole do país, dará forças para que isso seja reconhecido nacionalmente”, disse.

Violência obstétrica também ocorre em caso de aborto espontâneo

Por Giovanna Balogh
18/11/14 09:14

Muito se fala sobre violência obstétrica e como ela está presente durante o pré-natal e o parto. Durante a audiência pública realizada nesta segunda-feira (17) no Ministério Público de São Paulo, foi mostrado um outro tipo de violência que não é tão denunciada: a que acontece após um aborto, sendo ele espontâneo ou não.

A advogada Valéria Sousa foi uma das sete mulheres que deu seu depoimento durante o evento. Ela conta que em março do ano passado sofreu um aborto espontâneo em casa. Após ter uma forte hemorragia, ela desmaiou e o marido acionou o serviço de emergência para levá-la até um hospital. “Os socorristas antes de verem os meus sinais vitais ficaram questionando onde estava o medicamento para abortar que eu tinha tomado”, relata.

Valéria, que foi levada a um hospital particular da Grande SP, diz que durante todo o trajeto sofreu um verdadeiro interrogatório e que ele não cessou nem mesmo no hospital. “Me separaram do meu marido e nós dois tivemos que responder várias perguntas. Eles procuravam evidências de que eu tinha provocado o aborto”, comenta a advogada, que pede não divulgar o nome do hospital onde ocorreu o caso.

Segundo Valéria, a morte do bebê havia sido constatada dias antes em uma ultrassonografia. “Nesse exame de rotina vimos que o coração do bebê não batia mais. Resolvi esperar a expulsão natural do bebê, mas mesmo mostrando o exame, duvidaram de mim e omitiram socorro”, comenta. A advogada diz que negaram até o medicamento de hidratação dizendo que o convênio “não cobria” e que ela seria removida a um hospital público.

“Falei que pagaria particular, mas me negaram. Fiquei cinco horas na sala de triagem sem atendimento. Cheguei a convulsionar no hospital e ninguém me atendeu. Alguém fez um pré-julgamento a meu respeito e determinou que não merecia ser atendida”, relata a vítima, que assinou um termo de responsabilidade para ter alta.

Somente então ela saiu do hospital com o marido em busca de atendimento em outra unidade de saúde, onde recebeu toda assistência necessária. “ A mulher é tratada como criminosa pelo aborto, mesmo quando ela não provocou. Eles estavam mais preocupados em chamar à polícia do que salvar a minha vida”, relata.

A defensora pública Ana Rita Souza Prata, diz que as mulheres têm ainda mais dificuldade em denunciar a violência obstétrica após um aborto. “Em caso de abortamento, a mulher está passando por uma situação muito traumática, mesmo tendo sido ele provocado ou não”, diz.

A defensora ressalta que a equipe médica tem que atender a paciente mesmo se o aborto foi provocado e que ela pode responder criminalmente se por acaso se omitir. “Nesse caso, a violência obstétrica acontece pois está associada a um julgamento moral”, diz Ana Rita, que é coordenadora auxiliar do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública. Apesar do aborto ser considerado ilegal, o médico tem o dever de sigilo nesses casos.

A representante do Cremesp na audiência, a obstetra Roseli Nomura, disse que a violência obstétrica tem sido pauta dos debates internos da entidade médica. “Estamos preocupados não só em chamar a atenção para isso, que tem sido pauta nossa, como também quanto à formação do próprio medico, que tem de ter uma formação mais humanista a uma série de fatos que têm sido denunciados”, afirmou.

Já a  coordenadora geral de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Maria Esther Vilela, diz que existem ameaças aos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres com, por exemplo, o projeto do Estatuto do Nascituro. “Temos que ter muito cuidado na distinção de um feto como um ser independente da saúde da mulher. Temos que ter cuidado pois cria uma independência do feto de uma mulher como se essa mulher não tivesse vida própria”, diz.

A secretária adjunta da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Dulce Xavier,  diz que  é preciso resgatar a questão sobre o direito de escolha das mulheres. “Elas sofrem violência para parir, quando procuram atendimento para interromper uma gravidez, mesmo quando é decorrente de um estupro ou qualquer outra questão. São tratadas como criminosas”, relata. Dulce ressaltou a importância das mulheres terem direito e acesso aos métodos contraceptivos, como pílula do dia seguinte e DIU sem que questões religiosas atrapalhem a saúde pública.

Durante a audiência pública, foi citado também o caso de  Aline Pimentel,28. A jovem, negra, moradora de Belford Roxo, na Baixada Fluminense que, em 2002, estava grávida de 27 semanas e procurou uma casa de saúde particular porque não estava se sentindo bem. Receitada, ela voltou dias depois com uma piora no quadro de saúde, apresentando hemorragia e com o feto morto. O parto foi então induzido, mas Aline sofreu nova hemorragia, foi transferida para um hospital público e morreu.

O caso de Aline ganhou divulgação internacional. O comitê da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw) da ONU condenou o governo brasileiro, em 2011, a reparar a indenizar a família da paciente.

OUTRAS VÍTIMAS

O evento também contou com o relato de outras vítimas de violência obstétrica, entre elas, Adelir Carmen Lemos de Góes. Conforme revelado pela Folha, em abril deste ano a gestante foi submetida a uma cesárea contra a sua vontade após médicos acionarem a Justiça para que ela fosse retirada à força de casa e levada a um hospital de Torres, no Rio Grande do Sul. O fato gerou uma série de protestos e vigílias em várias capitais brasileiras.

O evento também contou com a participação do deputado federal  Jean Wyllys, que é autor do projeto de lei 7633/2014, que prevê reduzir os índices de cesáreas e ainda oferecer atendimento humanizado para todas as mulheres durante o parto.

No final do evento, foi feita uma carta sobre violência obstétrica que será distribuída para os promotores terem mais conhecimento e atenção sobre essa questão.

Câmera flagra vizinha agredindo criança autista em elevador de prédio

Por Giovanna Balogh
14/11/14 12:33

Veja o vídeo

Uma criança de nove anos foi espancada no último dia 6 por uma vizinha dentro de um elevador de um condomínio na Vila Maria, na zona norte de São Paulo. A agressão foi filmada pelas câmeras do prédio e as imagens foram entregues na semana passada à polícia.

O menino, que a reportagem preserva o nome para que não seja identificado, tem autismo. A agressão aconteceu logo após ele chegar da escola na perua escolar.  A mãe do garoto trabalha o dia todo e conta que o menino sobe sozinho no elevador e que fica sob os cuidados da irmã, que tem 18  anos, até ela voltar do trabalho.

Ela conta que não conhece a agressora e que o filho relatou o que havia acontecido pouco antes dela chegar do trabalho. “Ele me disse mamãe ela é má. Só gosta da filha dela. Ela quase me matou”, disse.

O menino descreveu a agressora para a mãe que decidiu procurar a vizinha Amanda Gyori,  25. “Liguei para a moradora e ela disse que só puxou ele para dentro do elevador. Ela negou qualquer agressão. Disse que meu filho estava agitado e que e bateu com a mochila na filha dela, de 4 anos”, relata.

Como o menino tinha ferimentos aparentes, a mãe decidiu procurar as imagens do circuito interno do condomínio e diz ter ficado chocada com o que viu. “Ela bateu, chutou várias vezes e deu socos no meu filho. Mostrou que não tem nenhum controle e que precisa de ajuda médica”, diz. Em seguida, ela procurou a polícia e a agressora foi indiciada por lesão corporal.

Em depoimento à polícia, Amanda  admitiu ter batido no menino  e alegou que fez isso pois “ficou cega” depois que ele arremessou a mochila em direção à filha dela.  A agressora, que não foi  presa, poderá  pegar até um ano de prisão. Procurada pela reportagem, ela não foi localizada para comentar o assunto.

A mãe diz que para ela a melhor pena que a vizinha podia pegar é trabalhar em uma instituição que cuida de crianças especiais.  “Só assim ela entenderia o lado dos pais e dessas crianças que não tem como se defender. As pessoas acham que a criança especial não sente dor, que não sangra, que não tem sentimento”, lamenta a mãe, que cria sozinha os dois filhos. Segundo ela, nem o pai da criança aceitou a doença do menino.

A mãe diz que o menino frequenta uma escola normal e que também sofre preconceitos por conta do autismo. A mãe relata que o menino passa por tratamentos e que faz de tudo para ele conseguir ter independência e melhorar sua socialização.

A mãe da vítima diz que nunca levantou a mão para o filho pois acha que agredir não agrega em nada. “Foi uma agressão gratuita, uma tortura. Como vou defender e preparar ele para viver em sociedade encontrando pessoas assim no caminho dele?”, questiona.

Correios já permitem adotar cartinhas do Papai Noel

Por Giovanna Balogh
13/11/14 14:36
Cartinhas podem ser adotadas nos Correios (Foto: Lalo de Almeida - 8.dez.2008/Folhapress)

Cartinhas podem ser adotadas nos Correios (Foto: Lalo de Almeida – 8.dez.2008/Folhapress)

Joãozinho sonha em ter um carrinho e a irmã Bianca  uma boneca. Paulinho quer um emprego para o pai enquanto Maria sonha em ter um micro-ondas em casa. Os pedidos neste fim de ano são os mais diferentes possíveis e são feitos em cartinhas endereçadas ao Papai Noel.

Como não dá para entregar essas cartas ao bom velhinho, os Correios permitem que as pessoas adotem uma cartinha e realizem o sonho de uma criança.

A campanha foi lançada nesta quinta-feira (13) e já é realizada há 25 anos pela empresa. A ideia é atender, segundo os Correios, os pedidos daqueles que estão em situação de vulnerabilidade social.

Nos últimos três anos, foram recebidas 3,1 milhões de cartas destinadas ao Papai Noel. Desse total, 1,9 milhões atendiam aos critérios da campanha e quase 74% foram adotadas.

Em 2013, na região metropolitana de SP, os Correios receberam cerca de 200 mil cartinhas, das quais 98 mil foram cadastradas por se enquadrar nos critérios da campanha.  Mais de 50 mil crianças foram presenteadas. Em todo o Brasil, foram 600 mil cartas enviadas e 500 mil atendidas.

Desde 2010, os Correios estabeleceram parcerias com escolas públicas, creches e abrigos que atendem crianças carentes. O objetivo é trabalhar ações como desenvolver a habilidade da redação de carta, endereçar e usar corretamente o CEP.

COMO ADOTAR UMA CARTINHA?

Todas as cartas que chegam aos Correios são lidas e passam por uma triagem. Em seguida, elas ficam disponíveis para adoção na casa do Papai Noel montadas nos Correios ou em outras unidades da empresa.

As pessoas podem ler e escolher a cartinha que mais se identificam.

Ao adotar uma cartinha, o padrinho compra o presente e entrega nos Correios, que fica responsável por entregar o brinquedo, por exemplo. Não é permitido que a pessoa faça a entrega diretamente e, por esse motivo, o ‘padrinho’ da criança não é informado sobre onde ela mora.

As cartinhas podem ser adotadas em todo o país, mas varia até que data é possível escolher a carta.  Na Grande SP, por exemplo, é possível adotar a carta até o dia 16 de dezembro em um dos 130 pontos dos Correios da Grande São Paulo.

Mais informações podem ser obtidas no site da campanha ou pelos telefones  3003 0100 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 725 7282 (demais localidades).

Infertilidade deve ser tratada como doença, diz médico

Por Giovanna Balogh
13/11/14 07:07

Casais que têm dificuldade para engravidar encontram outro problema quando decidem recorrer à reprodução assistida: os planos de saúde não cobrem pelo procedimento. Algumas mulheres, como mostrou reportagem da Folha, recorrem à Justiça para conseguir que o plano arque com a despesa.

Para o médico Newton Eduardo Busso, os planos de saúde devem tratar a infertilidade como uma doença e não como sendo apenas um ‘luxo’ para o casal. Ele comenta que o tratamento deveria ser incluído no rol de procedimentos determinados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Presidente da comissão de reprodução humana da Febrasgo (federação dos ginecologistas e obstetras), Busso diz que a fertilização in vitro é mais barata do que outros procedimentos que são cobertos pelos planos como, por exemplo, a cirurgia bariátrica (redução de estômago) e medicação para tratar câncer e HIV.

Busso explica que  a lei 11.935 de 2009 prevê que os planos cubram o chamado planejamento familiar, que inclui contracepção e tratamentos para o casal engravidar.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), porém, fez uma resolução que exclui a inseminação desse tipo de cobertura.

 “Como a infertilidade não mata ninguém, a ANS vai empurrar até quando puder para não pagar. Existe uma lei e ela não é cumprida”, afirma Busso sobre a lei 11.935. Ele é um dos idealizadores do projeto “Tratamento de Infertilidade para Todos”, que reúne médicos, assistentes sociais, psicólogos e casais que querem engravidar.

Busso explica que a fertilização in vitro existe há 30 anos no Brasil e que os casais só conseguem fazer pela rede particular ou ingressando com ações na Justiça para conseguir a cobertura pelo plano. “No Brasil são feitos apenas 125 ciclos de fertilização por milhão de habitantes. Quando a Figo [federação internacional de ginecologistas e obstetras] recomenda 1.500 ciclos por milhão de habitantes. Proporcionalmente, fazemos menos do que o Chile e a Argentina”, diz. No Brasil, o médico diz que apenas 10% dos ciclos são feitos pelo serviço público, ou seja, 90% da população que precisa do tratamento contra a infertilidade, doença que afeta um em cada cinco casais, acaba pagando do próprio bolso.

Para ele, a diferença é que as mulheres na Argentina foram as ruas exigir que os planos dessem cobertura na fertilização in vitro. “Lá as mulheres fizeram panelaço para ter direito pelo plano. Os casais não podem ter vergonha de assumir a infertilidade. Precisam se envolver e cobrar seus direitos. A infertilidade é uma doença e precisa ser tratada como tal”, diz.

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece fertilização in vitro. No entanto, devido à alta procura, em alguns locais a fila é de até cinco anos. Procurado, o Ministério da Saúde diz não ter controle sobre o número de procedimentos via SUS que são realizados no país. Em São Paulo, no Hospital Perola Byington, por exemplo, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde para então ser encaminhado ao local. Segundo o hospital, são feitos de 30 a 40 tratamentos por mês.

O QUE DIZ A ANS

A ANS  diz que vários procedimentos que possibilitam diagnosticar e tratar a infertilidade são cobertos pelos planos de saúde.

Afirma ainda que segue a lei 9.656/98, que exclui a inseminação da coberturas.

A agência diz que a lei 11.935 incluiu o planejamento familiar como cobertura obrigatória. Explica, porém, que entende esse conceito na “perspectiva dos direitos sexuais reprodutivos”.

Nessa definição estão incluídos, segundo a agência, laqueaduras, vasectomia, implantação de DIU e tratamentos contra a infertilidade. A inseminação não é listada.

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